domingo, 28 de abril de 2019

A arte da diplomacia


Em minha atuação como Secretária Executiva tive o privilégio de assessorar um dos executivos mais respeitados da área de Relações Instituições e Governamentais do país. Ele era o tipo de profissional que aqueles que atuavam no segmento conheciam e respeitavam. Sua capacidade de negociar, articular, transitar em vários ambientes e formar alianças, era admirável. É o tipo de executivo que vale muito a pena conhecer, e eu tive a oportunidade de trabalhar diretamente com ele por quase uma década e aprender importantes lições sobre pessoas, negociação, mundo corporativo e sucesso. 

A bagagem adquirida em 40 anos de trabalho contribuiu para que *Joseph se tornasse um mestre na arte de negociar e uma importante habilidade foi a sua capacidade de atuar com diplomacia em seus relacionamentos, mesmo em cenários de hostilidade, stress e competição.

Durante o tempo que trabalhamos juntos, nossa parceria - assim defino a relação entre Profissionais de Secretariado e Executivos - era de muita cumplicidade, confiança e seriedade. Joseph nunca teve tempo para jogar conversa fora, então nossas falas eram pontuais e assertivas, e sempre carregada de aprendizado. Ele gostava de ditados e de compartilhar suas experiências. E hoje eu quero compartilhar um pouco desses aprendizados que fizeram muito sentido para minha carreira e trajetória. 

Nada é pessoal - Joseph, embora fosse muito respeitado e admirado, tinha seus adversários, alguns declarados outros em pele de cordeiro. Era interessante como ele conhecia o comportamento das pessoas e o que elas eram capazes. Presenciei muitas tentativas de rasteira e ele sempre soube como se sair bem e com classe. Nunca o vi levantar a voz, mas sempre soube se posicionar. Dizia que "alguns caras são bobos. Precisam de atenção, prestígio e poder. Certamente porque são inseguros e com autoestima baixa. Acredite, nada é pessoal. As pessoas agem conforme a sua natureza, mas não se sustentam. Mais dia menos dia a máscara cai".   

Sem chiliques - Se fracassar ou não obtiver o sucesso que esperava em determinada situação não seja aquele adulto chato que faz chilique e sai arrumando briga com todos. Admita que perdeu, reconheça e recomece. Nada mais patético que adulto fazendo cena. Cansei de ver executivos jogando telefone na parede quando as coisas não aconteciam como gostariam ou quando não conseguiam o desejado. "vai devagar, observa cada movimento e como as pessoas reagem aos fracassos. Seja sempre o cara do bem e saiba perder com classe". 

Quem planta, colhe - A colheita pode acontecer em dez dias ou dez anos, não importa. Faça a sua parte, sem barulho, e deixe que os seus resultados falem sobre você. Não precisa pegar um microfone e sair pela rua falando o que fez. As boas notícias também correm e "os caras estão te observando". 

Seja agradável  - Existe uma grande diferença entre "ficar em cima do muro" e ser causador de polêmica. O que não significa que você não deva dar a sua opinião ou tomar decisões -  desde que você seja consultado. Evite ser o "encrenqueiro" da turma, o causador de polêmica. "Não jogue gasolina onde já está pegando fogo" e antes de tomar qualquer decisão reflita. Seja prudente em dar a sua opinião, avaliando qual o impacto a sua fala causará. Algumas pessoas são tão desagradáveis que não percebem o quão pesadas são e carregam o ambiente . Para o seu bem e para a saúde mental da humanidade não seja essa pessoa. 

Preserve sua intimidade - Joseph era extremamente supersticioso, chegava a ser engraçado. Era enfático em dizer que seus assuntos e sua agenda era sigiloso. Não admitia que os outros soubessem da sua vida, dos seus negócios e mais ainda da sua intimidade. Com frequência ele dizia "nem todo mundo vai celebrar as suas conquistas e comemorar suas vitórias. Compartilhe sua vida com quem vale a pena. Olho gordo atrasa ou mata". A regra era levada tão a sério por mim que alguns assuntos eu tratava na sala de reunião, o lugar mais discreto da empresa. 

Faça o bem, sempre - Joseph era uma pessoa muito boa e generosa. Se não pudesse ajudar, não atrapalhava. Eu admiro essa característica nele. Todos da empresa sentiam-se confortáveis em pedir ajuda porque sabiam que se pudesse ajudaria. Presenciei muitas ações de generosidade ao longo de nossa trajetória. O que eu mais admirava era que mesmo nessas situações exigia discrição. Nunca foi um homem de holofotes, nunca fez questão de chamar atenção, mas naturalmente chamava e era querido. Gostava do holofote e de  "sair na foto" quando necessário, não "forçava a barra". 

Ainda hoje nos falamos e desde que se aposentou, em 2015, tem viajado e estudado outros idiomas o que segundo ele, mantém o cérebro ativo. Continuo  aprendendo muito com ele, só que agora a pauta não contempla business, mas estilo de vida e eu estou amando aprender sobre o assunto. 

Com carinho, 

Simara Rodrigues 



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