sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Você sabe se comunicar com o seu gestor?



A Comunicação foi e sempre será um dos pilares para quem busca uma carreira bem-sucedida. Seja em pequenas, médias ou grandes empresas ou mesmo gerindo o seu próprio negócio. Seja como for, entre outras competências, a comunicação é um diferencial e fala muito sobre você. 


Ainda que novas tecnologias surjam e a informação aconteça em outros níveis de velocidade, a comunicação estará presente em estratégias, articulações, relações e novos negócios. Logo, aqueles que possuem a capacidade de se comunicar terão um diferencial. 

Outro dia, realizando um treinamento in company, uma das maiores queixas do gestor era a Comunicação com os seus liderados. Ele, muito irritado, desabafou: Simara, eu não entendo por que as pessoas vêm a minha sala a cada 15 minutos derramar problemas dos quais elas foram contratadas para resolver e o pior, não conseguem se comunicar de forma assertiva, ficam falando sem parar e não trazem a solução. 

Imediatamente me recordei de um grande executivo que assessorei. Suas reuniões com os liderados, muitos deles Diretores, na maioria das vezes, eram realizadas em pé. Alguns gestores sentiam-se pressionados, principalmente, porque sua fala era muito pontual. Ele não tinha tempo a perder e sempre dizia para mim: Simara, minha hora é muito cara para empresa, eu preciso focar no resultado. 

Sempre que seus liderados precisavam apresentar um brienfing de reuniões ou apresentações que posteriormente seriam repassadas aos acionistas ele lembrava: objetividade, foca no que importa. Muitos achavam essa postura desrespeitosa, mas funcionava. Aprendemos a nos comunicar de forma eficaz e nos adequamos ao perfil de gestão dele. Particularmente, Sempre achei estranho  pessoas passarem o dia em reuniões, que geram reuniões e mais reuniões e não geram nenhum resultado. Essa situação me fez lembrar o vídeo do Porta dos Fundos.

Hoje, no LinKedin, li o texto abaixo, publicado por Max Geringer, e achei interessante as dicas compartilhadas, embora ultrapassado ele ainda se referir ao gestor como "chefe". Já faz um tempo que o mundo corporativo vem mudando esta referência aos gestores e lideres. 

Outro ponto que me chamou a atenção foi o último parágrafo, que acredito pode gerar certo desconforto, a depender da interpretação, afinal comunicação não é o que eu falo, mas o que o outro entende. Assim, indico a leitura dos comentários disponíveis na página do Max Geringer. Achei interessante a discussão e visão de muitos profissionais o que também nos conecta ao estilo de gestão atual e praticado nas empresas. 


Por Max Geringer

Quase ninguém se prepara para falar com o chefe, o que pode ser um grande erro. 

Aquelas entradinhas na sala do chefe, que sempre começam com a frase “Chefe, temos um problema”, podem influir muito mais na carreira do que uma apresentação ou entrevista. 

Estou dizendo isso porque, um dia, eu tive um chefe ótimo. Quando ele me contratou, me deu uma folha, cujo título era “Como Trazer um Problema para o Chefe”

E a folha tinha 3 perguntinhas que a gente tinha de trazer já respondidas. 

1) Qual é o problema? 

2) Qual foi a causa do problema? 

3) Quais são as possíveis soluções? 

Aí, vinha uma observação: o tempo para responder a cada uma das perguntas era de 5 minutos. Se fosse preciso esticar o tempo, o chefe decidiria. 

Em seguida, vinham 2 lembretes úteis: 

1) Se eu precisar de relatórios ou gráficos para ilustrar o que eu estou falando, devo trazê-los. 

2) Se eu precisar que outra pessoa me apoie ou dê informações, devo levá-la comigo. 

Trabalhei 4 anos com esse chefe e nunca tive nenhum problema, muito pelo contrário. Principalmente porque, bem lá no pé da folha que ele me deu, havia um asterisco chamando a atenção para o ponto mais importante: Como posso deixar o chefe com a impressão de que foi ele, e não eu, quem resolveu o problema?


Fonte: 



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Do you speak english?


Minha mãe, embora tenha pouca escolaridade, sempre me incentivou a estudar. Repetidas vezes ao longo da minha vida disse: "Se quiser ser alguém na vida, tem que estudar". Essa era a sua maneira de me motivar a ser alguém com condições melhores que a dela. 

Assim, desde cedo, ela me motivou e investiu em meus estudos e, da maneira que era possível, me matriculou em uma escola de inglês. Ao escolher o curso de Secretariado, mais do que nunca, percebi como seria importante falar outra língua, uma vez que minha meta era assessorar executivos de alta direção. Durante minha trajetória, tive muitos gestores que me motivaram e inspiraram a seguir estudando outros idiomas. 

Assim fiz! Meu primeiro contato com o espanhol foi na faculdade e decidi estudar os dois idiomas: inglês e espanhol. Durante muitos anos me dediquei aos dois idiomas e, embora não utilizasse com frequência no trabalho, sempre gostei de estudar e dedicar tempo ao aprendizado de outras línguas. Não tenho dúvidas que dominar outros idiomas, além de contribuir para a sua carreira, amplia sua vida de mundo. Há muitos anos assessorei um executivo que estranhamente exercia um poder sobre mim e me fazia sentir medo e insegurança na minha atuação como Secretária e como profissional. 

Por muito tempo eu o culpei pelas grosserias e pela forma ríspida que me tratava; mas hoje, compreendo que toda aquela experiência aconteceu porque havia dentro de mim muitas questões mal resolvidas, o que transformava minha vulnerabilidade em medo e permissão. Por isso, o autoconhecimento é a chave que nos liberta de tantas prisões. Entre muitos fatos ocorridos durante os anos que o assessorei ele adorava rir de mim quando eu falava inglês e por vezes debochava do meu sotaque. Assim, aos poucos, fui me fechando, me sentindo envergonhada e com medo de falar inglês em público. Preferia me calar a ter que receber uma crítica. Sempre que precisava me comunicar, fosse a trabalho ou em viagens de lazer, eu iniciava a conversa pedindo mil desculpas por não falar inglês. 

Algumas pessoas podem ser demasiadamente cruéis e não fazem ideia do mal e prejuízo que podem causar à outras pessoas. De qualquer forma não compete a mim mudar ninguém, mas sim reconhecer em mim quem eu verdadeiramente sou. Muitos anos se passaram, e agora me encontro vivendo uma experiência internacional, que mais parece uma terapia intensiva. Aos poucos tenho deixado ir muitos medos, inclusive de falar inglês sem me preocupar se a sentença ou gramática está perfeitamente correta. E sabe o que é mais incrível? Está tudo bem, já não perco tempo dando explicações sobre o meu inglês e não sofro quando esqueço uma palavra e preciso exemplificar para me fazer entender. A verdade é que já não me chicoteio como antes. 

Este final de semana, aproveitei a oportunidade de estar vivendo em Dublin e fui conhecer Bordeaux, uma cidade linda da França. Ao chegar em um café um casal de ingleses, muito gentilmente, me convidou para sentar à mesa com eles. Num primeiro momento me deu frio na barriga, como se visse meu algoz debochando de mim. Pensei em recusar, mas, quando você se reconhece, se respeita e se ama, você sabe acolher e entende o que cada emoção significa. Pedi apenas que me corrigissem, como forma de aprimorar o meu vocabulário. 

Conversamos cerca de 1h sobre viagens, vinhos, política, lugares e rimos bastante. Ao me despedir a senhora muito amorosamente disse: você fala muito bem inglês, parabéns. E logo pensei: "Ingleses, como sabem ser gentis". Lá estava eu me sabotando, ou melhor, tentando me sabotar, e rapidamente tratei de ressignificar e internalizei um sonoro e amoroso Yes, I speak english. 

Moral da história: Quando você reconhece o seu valor você não precisa provar nada para ninguém e a opinião do outro, é só a opinião do outro. 

Texto original publicado no site do Comitê de Secretariado Executivo do DF 


segunda-feira, 17 de junho de 2019

Quem é você na fila do pão


Certa vez, em uma das sessões de mentoria, minha treinadora perguntou: Simara, quem é você na fila do pão? referindo-se ao meu papel e minha contribuição com foco no meu objetivo de carreira. E foi a partir de perguntas simples como esta que fui descobrindo meu lugar no mundo e a pessoa e profissional que gostaria de me tornar. 

Afinal, como uma pessoa se torna um profissional reconhecida? Ressalto que quando refiro-me à reconhecimento não estou mencionando títulos, quantidade de likes nas redes sociais e tão pouco sua fama e popularidade. Reconhecimento vai muito além. 

Com base nas minhas experiências digo que  um dos primeiros passos para atingirmos o reconhecimento profissional é identificando e potencializando nossas skills, que estão divididas entre Hard Skills e Soft Skills. 


Hard Skills - São as competências primárias e que podem ser aprendidas a partir de cursos, treinamentos, formações, certificações etc. Basicamente são as aptidões técnicas de um profissional. Ou seja, se escolhi atuar como um Profissional de Secretariado eu deverei buscar inicialmente alguns requisitos como, por exemplo, conhecimento em uma língua estrangeira, graduação específica, conhecimento de ferramentas tecnológicas e habilidades relacionadas às rotinas secretariais. 

Sendo assim, hard skills são as competências de base que devo possuir para atuar na área, o que não significa que terei reconhecimento. 

Já as soft skills são as habilidades sociocomportamentais, e estão relacionadas diretamente às aptidões mentais e à capacidade de lidar positivamente com fatores emocionais. Ou seja, se desejo atuar na assessoria de executivos de alta direção será necessário desenvolver habilidades e competências comportamentais e emocionais alinhadas à cultura organizacional da empresa. E é nesse momento que o joio é separado do trigo. 

Sendo assim, as soft skills envolvem mais que um curso ou certificação, pois abrangem toda a experiência psicossocial de um individuo, o que exige habilidades mais complexas, mais dedicação e atitude. O que leva muitos profissionais a desistirem da carreira ou mesmo não compreenderem a importância dessas habilidades. E é nesse momento que muitos profissionais entram no circulo das lamentações, do vitimismo e do mimimi. 

O que vemos com frequência no mundo corporativo são profissionais altamente capacitados tecnicamente, com formações, cursos e títulos e que são verdadeiros analfabetos emocionais e funcionais, incapazes de lidar com suas relações interpessoais, com suas emoções, frustrações e com as diferenças. 

Podemos citar entre as soft skills a comunicação interpessoal, a capacidade de persuasão, a proatividade, a facilidade para resolução de conflitos, o senso de liderança, a capacidade analítica, a comunicação não-violenta, a criatividade, a visão de mundo etc. As soft skills são as habilidades que te fazem único e que o diferencia dos demais e é nesse nível que podemos alcançar o reconhecimento que buscamos. 

Logo, é correto dizer que no mundo temos profissionais generalistas, que são aqueles que fazem o que deve ser feito, sem preocupar-se com a diferenciação. E os profissionais especialistas, que são aqueles que sabem fazer, gostam de fazer e fazem muito bem feito, a partir de habilidades que vão além das técnicas. São autoridades no assunto.

Particularmente tenho desenvolvido minhas soft skills a partir de uma escuta mais ativa, de muito autoconhecimento, autocrítica, mudança de mindset e saindo da minha zona de conforto. 

Acredito verdadeiramente que só somos capazes de descobrir o iceberg - que são as soft skills - quando mergulhamos em nossas crenças, valores, vulnerabilidade e reconhecemos nossas emoções, pois é quando me conheço que reconheço o outro. 


E quem é você na fila do pão?


Um abraço,

Simara Rodrigues

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Nudes, secretariado e ética profissional





Uma das habilidades que mais admiro na profissão de Secretariado é a capacidade de manter sigilo e ética frente aos desafios diários, contendo a ânsia do compartilhamento viralisado nas redes e mídias sociais. O Secretariado ainda preserva os ares da discrição e do segredo e penso que não dá para ser diferente. 

Somente quem está inserido no contexto tem a capacidade de mensurar a quantidade de informações que transitam diariamente no mundo corporativo e que envolvem atores de vários níveis, entre eles o profissional de Secretariado. Importante mencionar que a depender do assunto, um número muito pequeno de pessoas terá conhecimento e certamente ainda assim lá haverá um Profissional de Secretariado, considerando as habilidades deste profissional. 

Atuando como Secretária Executiva por quase duas décadas tenho histórias guardadas a sete chaves. Afinal, muito além das técnicas, da formação, da postura adequada, da gentileza, da atenção e da dedicação, também atuava como uma espécia de guardiã dos meus gestores. Sempre soube o meu papel e minhas obrigações e soube me adaptar rapidamente aos diversos perfis, mantendo sempre a discrição que o cargo exigia. 

Em todas as experiências vividas, sempre procurei manter o equilíbrio e imparcialidade, com exceção de uma situação que aconteceu, trazendo profundo constrangimento e validando minha falta de empatia com o Executivo envolvido. 

Desde o primeiro contato com esse Executivo senti que a relação seria desafiadora e pouco duradoura. Embora  ele fizesse questão de manter um ar de bom samaritano-metido-a-espiritualizado, amoroso, atencioso, doce e querido, algo nele me despertava repulsa. Nunca soube explicar o porquê.  

Seja como for, fui designada para secretaria-lo e como já havia secretariado dezenas de Executivos ele seria só mais um. "Vai ser moleza! o que mais pode  me acontecer?" pensava comigo, que já havia secretariado os tipos mais exóticos.


Um belo dia, como todos os outros, ele me entregou o celular corporativo para efetuar a troca do aparelho. Durante anos eu fazia aquela atividade: receber o telefone, fazer o backup, limpar as informações, apagar os dados, enfim, era natural e fazia parte das minhas atividades garantir que todas as informações fossem apagadas, como conta de e-mail, dados bancários, senhas, etc. Tive gestores que trocavam de celular a cada 10 dias e como Secretária Executiva, tinha acesso a tudo. Em minha atuação sempre foi fundamental o fator confiança, e tive essa relação com todos os meus gestores, mesmo com os mais conservadores. 

Foi então que ao efetuar um procedimento que para mim era padrão me deparei com uma pasta com nudes do executivo. Levei um susto e imediatamente fechei a pasta constrangida e com medo que alguém me perguntasse o que tinha acontecido. Tentei manter a cara de paisagem habitual que fazia quando algo inesperado acontecia. 

Ainda sem acreditar, abri novamente a pasta e percebi que as fotos foram tiradas no ambiente de trabalho. Ao mesmo tempo que sentia vergonha, sentia raiva por tamanha falta de respeito. Fechei o celular, guardei na gaveta e fui para casa. 

Uma lição que aprendi ao longo da minha carreira foi jamais tomar decisões de cabeça quente. 

No dia seguinte fui até ele e informei que iria fazer o backup do celular e resetar as informações. "O Senhor quer verificar se há alguma informação que queira resgatar?" perguntei para ele, na expectativa que percebesse a situação. Embora hoje pense comigo: Com que finalidade ele iria responder: ah, claro! quero sim, acho que deixei uns nudes na pasta.  Ele sequer olhou para mim e pediu que tomasse as providências. 

Devo confessar que por alguns segundos tive vontade de deixar as fotos e entregar o aparelho na área de Tecnologia. Deixa-lo se expor já que não se preocupou em me constranger. 

Ética profissional foi o que me fez apertar o botão, resetar o aparelho,  esquecer esse episódio e seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Com um clique apaguei tudo que ali constava, inclusive os nudes tirados durante o expediente, dentro do ambiente corporativo. 

Entre as lições que aprendi com esse episódio fica a certeza que reputação é aquilo que você faz quando todos estão por perto e em frente aos holofotes caráter é aquilo que você faz quando ninguém está vendo. 

Parafraseando Abraham Lincoln, "você pode enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo, mas você não pode enganar todas as pessoas o tempo todo".

Como previsto, afinal, "Secretárias têm bola de cristal" trabalhei pouco tempo com esse executivo e graças a Deus nunca mais tive notícias de sua vida e menos ainda dos nudes que têm feito. :)

Simara Rodrigues 



segunda-feira, 10 de junho de 2019

Sucesso também é uma escolha


Afinal, o que define um profissional de Sucesso? Suas conquistas? Sua conta bancária? Seu patrimônio? As empresas por onde passou? As experiências que teve ao longo da sua jornada? Os projetos que implantou? O impacto que causou na vida das pessoas? O valor que gerou na vida de outras pessoas? A quantidade de horas que trabalhou? A contribuição social que deixou? O cumprimento de suas responsabilidades trabalhistas?

Sucesso, no meu ponto de vista, jamais se resumirá a um único conceito, sobretudo porque sucesso, para mim, é viver uma vida equilibrada no ter, ser e fazer. 

Foi quando iniciei minha trajetória profissional no Secretariado Executivo que meus sonhos começaram a se realizar. Destaco esse marco porque comecei a trabalhar muito jovem, aos 13 anos, ajudando minha mãe no mercadinho da família, lá fazia de tudo - atendimento ao cliente, serviço de banco, organização do espaço, etc. Foi nessa época que começou meu aprendizado e minha capacidade de empreender, comunicar e realizar. 

Então foi no Secretariado, a partir de um trabalho feito com amor, dedicação, consciência e comprometimento que alcancei os meus resultados.

Por que digo "meus resultados"? Porque cada indivíduo tem o seu alvo. O meu, desde que ingressei na profissão, foi ser a melhor versão que pudesse, assessorando executivos de alta direção em grandes empresas públicas e privadas. E assim aconteceu, minhas conquistas foram possíveis graças ao meu pertencimento à Profissão e por acreditar que seria possível. 

Dessa forma, percebo, ao longo da minha trajetória, que o sucesso está em manter o equilíbrio, o que exige uma busca continua de aprendizado. Logo, não há ponto final, não há fim da estrada, não há certo e errado. Nessa caminhada não se trata de "chegar lá" e sim de apreciar e aprender com a jornada. 

Então, compartilho alguns aspectos que foram e continuam sendo essenciais para o meu sucesso pessoal e profissional, que contribuem para uma vida mais equilibrada e com sentido. 


Relacionamentos 
Cultive bons relacionamentos. Acredite, eles se tornarão sua essência e serão o seu norte em muitos momentos. Valorize cada sorriso, cada gentileza, por menor que seja, e retribua. O fluxo da abundância está em dar e receber, e isso se aplica em nossas relações. Quanto mais você doar mais você receberá. Entretanto não trate suas relações como moeda de troca. Seja genuíno. Entenda que as pessoas têm formas distintas de expressar suas emoções, logo, não defina suas relações apenas por sua ótica - do que é certo ou errado. Respeite o estilo de cada um. E se ao longo da sua trajetória encontrar pessoas que, na sua percepção, não estão alinhadas ao seu estilo de vida ou objetivo, simplesmente deixe-as ir. Evite ser barulhento, siga sua caminhada. Essa postura lhe poupará muita energia e o manterá com foco. E acredite, é muito mais elegante e essa atitude fala muito sobre você. Lembre-se: Nós somos a soma das nossas relações, então, escolha quem são as pessoas com quem você deseja estar. 


Família 
Este é sem dúvida o seu maior bem e certamente serão seus maiores críticos. Aproveite cada feedback. As vezes vai doer. Seja como for, reserve um tempo para eles. Não adianta querer abraçar o mundo com as pernas e esquecer que eles também precisam de você. A família, por mais complexa que seja é a nossa base, onde estão nossos valores, nossas crenças e muitos porquês. 

Espiritualidade 
"Religião é uma garrafa com um rótulo, espiritualidade é o que tem dentro dela", assim afirmou Alik Shahadah e compartilho da mesma opinião. Costumo dizer que nossa espiritualidade é tão importante como tomar banho e por isso deve fazer parte dos nossos hábitos. É a partir da nossa espiritualidade que somos capazes de contemplar o Divino e preservar um sentimento de gratidão pela vida, por tudo que temos e somos. É a nossa espiritualidade que permite sermos pessoas educadas, civilizadas, que praticam a empatia e respeitam a opinião e estilo de vida alheia. Quanto mais espiritualizado somos, mais conectados estaremos ao Eu superior.

Bem-estar físico e emocional 
Mens sana in corpore sano, destaca o provérbio. É impossível ter uma vida de sucesso sem o equilíbrio entre o corpo e a mente. E por quê? Apenas com um corpo saudável podemos assegurar uma mente saudável; condição essencial para vivermos uma vida com boa saúde e que naturalmente impactará nos resultados, na longevidade e em nossos relacionamentos. Por isso, reservar um tempo para atividades físicas, por mais simples que seja, contribui para uma vida com mais significado.

Dinheiro 
Em muitas famílias o dinheiro é um assunto velado, um tabu. Muitos de nós crescemos ouvindo crenças sobre o dinheiro que contribuíram para o medo e a escassez. "Dinheiro não traz felicidade", "caixão não tem gaveta", "dinheiro é sujo", "o dinheiro sobe à cabeça das pessoas". Qual é o problema em você desejar uma vida abundante e com liberdade financeira? Já parou para pensar que com dinheiro você pode gerar valor na sua vida e na dos outros? Particularmente penso que não dá para viver uma vida de sucesso vibrando na escassez. O pulo do gato é você ter consciência de quem comanda quem. 

Ouça sua voz interior 

... “Não permita que os outros o manipulem ou controlem - e eles são muitos! Todos estão prontos para o reprimir, todos estão prontos para o mudar, todos estão prontos para lhe dar uma direção que você não pediu. Todos lhe dão um guia para a sua vida. O guia existe dentro de si! Você transporta a sua marca d’água. Ser autêntico significa ser fiel a si próprio. É um fenômeno muitíssimo arriscado; são raras as pessoas que o fazem. Mas sempre que as pessoas o fazem, elas conseguem. Elas conseguem uma beleza tal, uma graça tal, um contentamento tal que não pode ser imaginado - Osho". Todas as pessoas bem sucedidas que conheço seguiram seu coração e sua intuição. Sabiam, de alguma forma, que aquele era o caminho. E a partir dessa voz interior se preparam, se capacitaram, buscaram ajuda e seguiram seu caminho. Apesar de todos os ruídos e do barulho alheio, continue fiel a sua voz interior. 

Viver uma vida com clareza, reconhecendo as prioridades, os valores e vibrando numa energia positiva são os primeiros passos que damos quando decidimos em quem queremos nos tornar. O sucesso, será uma consequência.




domingo, 5 de maio de 2019

Não está feliz, pede pra sair!




Ontem à noite resolvi sair para jantar em um restaurante recomendado por uma amiga e que fazia algum tempo vinha me chamando atenção, em especial por oferecer a minha comida preferida, que é a italiana. Não sou muito de sair de casa. Como boa virginiana sou muito reservada e gosto de sossego. Por isso, prefiro receber meus amigos em casa e jogar conversa fora despretensiosamente. 

A noite foi incrível. A começar pela ligação para a reserva da mesa. Ao chegarmos no local fomos direcionados para a nossa mesa e durante toda experiência - porque assim classifico a noite - tudo ocorreu perfeitamente. Os funcionários - TODOS bem humorados, com sorriso no rosto, atentos e prestativos - foi o ponto alto da noite. A Comida impecável, preço justo e atenção a todos os detalhes. É sem dúvida o tipo de investimento que vale a pena fazer. Sim, investimento, porque quando decidimos sair de casa, apostar em um local e esperar um bom atendimento, estou investimento além de recursos financeiros o meu tempo e minhas expectativas. Fomos embora felizes, bem alimentados - de corpo e alma. É um lugar que voltarei mais vezes, sem dúvidas, porque me acolheu como gosto de ser acolhida. E quem não gosta?

Hoje cedo acordei e decidi tomar café na padaria próxima de casa. Logo ao chegar, a atendente de cara fechada registrou meu pedido. Sua impaciência era visível. Enquanto pagava, observei o pessoal dentro da cozinha, que é aberta, preparar os lanches. TODOS de cara amarrada e um nítido mau humor. Logo pensei: "Prepare-se Simara para um café da manhã medíocre. Impossível ter algo bom com essas caras a la "odeio meu trabalho". O café era simples, mas não precisava ser simplista.

Fiquei pensando sobre isso, enquanto meu café não ficava pronto, em como as pessoas e a forma que trabalham impactam no resultado final, no ambiente e no negócio. Não importa se é um restaurante, uma padaria, um escritório, uma empresa, uma Instituição...enfim, não importa. Seja como for, penso que é impossível realizar um trabalho de excelência e de qualidade com pessoas mau humoradas, mau sucedidas e infelizes executando suas atividades. 

Ah Simara, é porque não é você quem acorda às 06h da manhã para trabalhar na padaria em pleno domingo. Será mesmo que é isso? ontem, sai do restaurante passava de meia noite e os funcionários mantinham a mesma cara. E pelo que sei, hoje (domingo) funciona também. Não vou entrar na seara de quantos anos trabalhei de 07h da manhã às 23hs (e era apaixonada pelo que fazia) e quantas outras pessoas conhecemos têm um rotina frenética, mas mantém o bom humor?  

Me desculpem os extremistas de plantão, mas não consigo acreditar que uma pessoa ranzinza possa executar um trabalho de qualidade e impactar positivamente nos resultados. É algo naturalmente tóxico. 

Para mim, ficou muito claro a diferença entre os dois serviços prestados - na noite anterior e nesta manhã - AS PESSOAS. Sim, as pessoas, são e serão o maior ativo das empresas, por isso é tão importante refletir sobre o serviço que está sendo prestado. Não é a comida italiana ou o pão com queijo que faz a diferença. Eu poderia ter tido experiências incríveis nas duas situações. 

E no Secretariado, qualquer semelhança é mera coincidência? Ao longo dos anos venho presenciando e convivendo com profissionais e profissionais e estou certa que o maior diferencial entre aqueles que são bem sucedidos e mau sucedidos, está na capacidade de gostar do que faz. 

Ninguém que passe horas e horas do dia fazendo algo que não gosta será capaz de oferecer um serviço de qualidade. Por isso, sou adepta da teoria do "pede pra sair" que é mais ou menos assim: Não está feliz com o que faz, pede pra sair! Organize suas finanças, faça um planejamento, crie prioridades, reveja sua carreira, volte a estudar, enfim, se movimente e siga em frente. O que não dá é para ficar parado e atrapalhado a vida dos outros. Essa decisão talvez seja a porta que você tanto espera que se abra. 

Ser feliz no restaurante, na padaria, no secretariado ou na vida só de depende de cada um de nós. Por isso, descubra aquilo que faz o seu coração vibrar. 

Um excelente domingo, 

Simara Rodrigues 



sexta-feira, 3 de maio de 2019

Você é feliz no seu trabalho?



Uma das coisas que mais gosto na vida é conhecer pessoas e me relacionar com elas. Eu acredito que a comunicação é uma arte, que todos nós deveríamos praticar. Entre outros benefícios porque faz bem para alma e nos faz seres humanos melhores, a medida que vamos aprendendo e nos transformando a partir das nossas relações. 

Geralmente, nas minhas conversas surge a necessidade de falarmos de trabalho e profissão e não faltam pessoas insatisfeitas ou infelizes com o trabalho que realizam. 

Geralmente, as respostas para esses problemas são sempre as mesmas: 

Não tenho reconhecimento onde estou
Não me dão oportunidades para crescer
Meu gestor/chefe está me adoecendo

A verdade é que isso realmente pode acontecer. Porém, se não tratamos de resolver o problema ele pode trazer consequências muito piores e um sentimento avassalador de frustração e impotência, adoecendo não somente nós, como aqueles que nos rodeiam. É uma espécie de virose.

Ignorar os problemas ou "empurrar com a barriga" esperando que alguém nos salve é o mesmo que jogar a toalha e desistir. 

Então o que podemos fazer? como podemos fazer? 

Parto do principio que não se pode esperar por mudanças sem ação e movimento. "Ah, Simara falar é fácil. Acontece que PRECISO do emprego e PRECISO aguentar". 

Entenda, você está exatamente aonde deseja e merece estar. Parece assustador dizer isso, mas essa é a verdade. Tudo que somos, temos e fazemos é fruto das nossas escolhas, daquilo que potencializamos. O que não significa dizer que num piscar de olhos, se desejar, estará com a vida que pediu a Deus em seus melhores sonhos. 

E sabe quando você se dá conta que tem o que merece? Quando conhece as suas emoções, as suas crenças, os seus valores. Aos que não acreditam, meu pedido de desculpas antecipada, mas todo sentimento se transforma em intenção. Logo, se você tem crenças de escassez, de não-merecimento, de cachorro vira-la, me desculpe, mas é isso que você terá. 

Eleve seus pensamentos se quiser elevar seus resultados. Esse é um dos primeiros passos. Tenha coragem de trocar o conforto definido por uma cultura de medo, incerteza e mimimi e escolha ser quem você é! 

Ser quem você é, também é uma escolha. E quando escolhemos ser quem somos precisamos trabalhar muitos medos entre eles, da crítica - não leve nada para o lado pessoal. As pessoas só dão aquilo que elas têm, do julgamento, das pequenices diárias que assolam o mundo, do risco, do insucesso, acredite, este último virá mais cedo o mais ou mais tarde. E você só saberá lidar com ele (insucesso) quando chegar a hora. 

Portanto se quiser ser feliz no trabalho e na vida tenha coragem de ser quem você é. E aqui finalizo o post com o discurso proferido por Roosevelt em 1910, que me fortalece sempre que sinto uma pontada de medo ou duvido do meu potencial. 

“Não é o crítico que conta; Não o homem que aponta como o homem forte tropeça, ou onde o fazedor de ações poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está realmente na arena, cuja face está manchada pela poeira e suor e sangue; Que se esforça valentemente; Que erra, que “quase chega lá” repetidamente, porque não há nenhum esforço sem erro ou falha;

Mas quem realmente se esforça para fazer as obras; Que conhece grande entusiasmo, e grande devoção; Que se consome numa causa digna; Que, no melhor dos casos, conhece no final o triunfo da alta realização e que, no pior dos casos, se falhar, pelo menos falhará tendo ousado muito, de modo a que o seu lugar nunca estará com aquelas almas frias e tímidas que não conhecem a vitória ou a derrota."


Com carinho, 

Simara Rodrigues 

Surpreenda!


Durante minha trajetória como Secretária Executiva, assessorei um executivo incrivelmente interessante. O tipo de executivo que verdadeiramente admiro. Trabalhamos pouco mais de um ano juntos e como era de se esperar ele foi promovido, assumindo novos desafios em outro estado - assim acontece com todos os bons profissionais, estão em contante movimento e aprendizado.

Ele era diferente de tudo que já havia conhecido. Gostava de trabalhar com pessoas rápidas, criativas, seguras e independentes. Assim, a cada demanda e questionamento como deveria executar determinada atividade ele dizia: "me surpreenda". 

Aquilo me dava um frio imenso na barriga. Em partes, porque assessorava simultaneamente outros executivos extremamente metódicos, centralizadores e autoritários. Então, entre os muitos desafios, ao me sentar em sua mesa eu precisava "virar a chave" e agir como proposto. 

Me surpreenda significava para ele um WOW nas minhas entregas e era assustador, ao mesmo tempo que excitante, porque gerava em mim o desejo de realizar além do esperado, sair da zona de conforto. Era uma sensação incrível e não me lembro de viver rotinas ao trabalhar com ele - o que para mim sempre foi adoecedor. 

Certa vez me pediu para realizar uma apresentação com os dados de alguns indicadores que tínhamos na área e me convidou para apresentar o trabalho ao cliente, uma autoridade do Governo Federal. Foi um dos muitos momentos que tive medo, suadeira e ânsia de vomito, porque aquele cliente além de ser estratégico para a empresa, resultaria em novos negócios. 

Se dissesse não, certamente não me daria outros desafios e se dissesse sim estaria nas entrelinhas que deveria surpreende-lo. Na véspera da reunião perguntei a ele: "Fulano, você pode ver a apresentação e avaliar se o material está ok?". Ele respondeu: "Não. Me surpreenda". Não me recordo quantas vezes revisei e ensaiei o conteúdo. 

A reunião aconteceu, realizei a apresentação e no carro, de volta ao escritório, recebi seu feedback. "Parabéns, você entendeu o espirito da coisa e vai longe". 

Receber um feedback como esse de um dos Executivos que mais admirava e ainda admiro, foi uma das coisas mais gratificantes que já me aconteceram. Ele não era o tipo de gestor que passava a mão na cabeça. É claro que nem sempre o surpreendi e tive muitos insights com suas "puxadas de orelha", mas ainda hoje sempre que executo qualquer atividade desperta em mim esse sentimento e ouço aquela voz dizendo com toda força, potência e um sotaque adorável: me surpreenda. Outro dia me peguei falando essa frase para alguns alunos e foi incrível. 

Eu desejo que você encontre ao longo da sua jornada pessoas que despertem o seu desejo de ir além. Fique atento às estrelinhas e surpreenda-se! 

Com Carinho, 

Simara Rodrigues 




domingo, 28 de abril de 2019

A arte da diplomacia


Em minha atuação como Secretária Executiva tive o privilégio de assessorar um dos executivos mais respeitados da área de Relações Instituições e Governamentais do país. Ele era o tipo de profissional que aqueles que atuavam no segmento conheciam e respeitavam. Sua capacidade de negociar, articular, transitar em vários ambientes e formar alianças, era admirável. É o tipo de executivo que vale muito a pena conhecer, e eu tive a oportunidade de trabalhar diretamente com ele por quase uma década e aprender importantes lições sobre pessoas, negociação, mundo corporativo e sucesso. 

A bagagem adquirida em 40 anos de trabalho contribuiu para que *Joseph se tornasse um mestre na arte de negociar e uma importante habilidade foi a sua capacidade de atuar com diplomacia em seus relacionamentos, mesmo em cenários de hostilidade, stress e competição.

Durante o tempo que trabalhamos juntos, nossa parceria - assim defino a relação entre Profissionais de Secretariado e Executivos - era de muita cumplicidade, confiança e seriedade. Joseph nunca teve tempo para jogar conversa fora, então nossas falas eram pontuais e assertivas, e sempre carregada de aprendizado. Ele gostava de ditados e de compartilhar suas experiências. E hoje eu quero compartilhar um pouco desses aprendizados que fizeram muito sentido para minha carreira e trajetória. 

Nada é pessoal - Joseph, embora fosse muito respeitado e admirado, tinha seus adversários, alguns declarados outros em pele de cordeiro. Era interessante como ele conhecia o comportamento das pessoas e o que elas eram capazes. Presenciei muitas tentativas de rasteira e ele sempre soube como se sair bem e com classe. Nunca o vi levantar a voz, mas sempre soube se posicionar. Dizia que "alguns caras são bobos. Precisam de atenção, prestígio e poder. Certamente porque são inseguros e com autoestima baixa. Acredite, nada é pessoal. As pessoas agem conforme a sua natureza, mas não se sustentam. Mais dia menos dia a máscara cai".   

Sem chiliques - Se fracassar ou não obtiver o sucesso que esperava em determinada situação não seja aquele adulto chato que faz chilique e sai arrumando briga com todos. Admita que perdeu, reconheça e recomece. Nada mais patético que adulto fazendo cena. Cansei de ver executivos jogando telefone na parede quando as coisas não aconteciam como gostariam ou quando não conseguiam o desejado. "vai devagar, observa cada movimento e como as pessoas reagem aos fracassos. Seja sempre o cara do bem e saiba perder com classe". 

Quem planta, colhe - A colheita pode acontecer em dez dias ou dez anos, não importa. Faça a sua parte, sem barulho, e deixe que os seus resultados falem sobre você. Não precisa pegar um microfone e sair pela rua falando o que fez. As boas notícias também correm e "os caras estão te observando". 

Seja agradável  - Existe uma grande diferença entre "ficar em cima do muro" e ser causador de polêmica. O que não significa que você não deva dar a sua opinião ou tomar decisões -  desde que você seja consultado. Evite ser o "encrenqueiro" da turma, o causador de polêmica. "Não jogue gasolina onde já está pegando fogo" e antes de tomar qualquer decisão reflita. Seja prudente em dar a sua opinião, avaliando qual o impacto a sua fala causará. Algumas pessoas são tão desagradáveis que não percebem o quão pesadas são e carregam o ambiente . Para o seu bem e para a saúde mental da humanidade não seja essa pessoa. 

Preserve sua intimidade - Joseph era extremamente supersticioso, chegava a ser engraçado. Era enfático em dizer que seus assuntos e sua agenda era sigiloso. Não admitia que os outros soubessem da sua vida, dos seus negócios e mais ainda da sua intimidade. Com frequência ele dizia "nem todo mundo vai celebrar as suas conquistas e comemorar suas vitórias. Compartilhe sua vida com quem vale a pena. Olho gordo atrasa ou mata". A regra era levada tão a sério por mim que alguns assuntos eu tratava na sala de reunião, o lugar mais discreto da empresa. 

Faça o bem, sempre - Joseph era uma pessoa muito boa e generosa. Se não pudesse ajudar, não atrapalhava. Eu admiro essa característica nele. Todos da empresa sentiam-se confortáveis em pedir ajuda porque sabiam que se pudesse ajudaria. Presenciei muitas ações de generosidade ao longo de nossa trajetória. O que eu mais admirava era que mesmo nessas situações exigia discrição. Nunca foi um homem de holofotes, nunca fez questão de chamar atenção, mas naturalmente chamava e era querido. Gostava do holofote e de  "sair na foto" quando necessário, não "forçava a barra". 

Ainda hoje nos falamos e desde que se aposentou, em 2015, tem viajado e estudado outros idiomas o que segundo ele, mantém o cérebro ativo. Continuo  aprendendo muito com ele, só que agora a pauta não contempla business, mas estilo de vida e eu estou amando aprender sobre o assunto. 

Com carinho, 

Simara Rodrigues 



sexta-feira, 26 de abril de 2019

Simplesmente celebre!



Com frequência recebo mensagem dos meus alunos e ex-alunos compartilhando suas rotinas, conquistas e frustrações frente ao desafio de conquistar uma carreira de sucesso. 

É o tipo de situação que me traz muita felicidade e realização. Tenho verdadeira gratidão em acompanhar a trajetória de pessoas que ao longo de uma jornada tornam-se muito mais que alunos e/ou clientes. Tornam-se amigos e pessoas queridas. 

Esta semana recebi uma mensagem de um ex-aluno compartilhando a emoção de participar da sua primeira reunião corporativa, como Secretário Executivo. Ele estava eufórico e eu achei o máximo. Me fez lembrar quando iniciei minha carreira e como era gostoso cada conquista, cada aprendizado. Trabalhar como Secretária sempre me fez sentir em um parque de diversões, especificamente numa montanha-russa - com todas as emoções que nela cabem.  

Fiquei muito feliz por ele, sobretudo porque acompanhei seus últimos anos,  tenho conhecimento de todos os desafios enfrentados e o desejo ardente em atuar na área de Secretariado que ele nutria. 

A minha dica de hoje é exatamente essa: Celebre as pequenas conquistas diárias. Seja um elogio, seja uma nova atividade, uma nova habilidade, uma nova responsabilidade, seja a  sua primeira participação em uma reunião corporativa...Celebre! 

Muitas vezes estamos tão focados no topo da montanha que esquecemos de apreciar a subida. 

Quando aprendemos a celebrar as pequenas conquistas, somos capazes de reconhecer cada etapa do nosso processo pessoal de aprendizagem e de maturidade. E chegará um dia que serão essas pequenas conquistas diárias responsáveis por sua trajetória e bagagem adquirida. Afinal, uma caminhada de mil milhas começa sempre com o primeiro passo. Então, simplesmente celebre!

Pergunta: Que pequena conquista você celebrou recentemente?

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Esqueça os rótulos se quiser ser feliz


Uma situação que sempre me incomodou, desde que ingressei no mercado de trabalho ainda como estagiária, é a necessidade que algumas pessoas e empresas têm de rotular os indivíduos. Você é economista, não é do campo das ideias. Você é do marketing, não deve saber se organizar. Você é secretária,  não entende de gestão. 


Depois de aplicar dezenas de testes e avaliações comportamentais ao longo da minha vida é possível dizer que sou uma pessoa altamente dinâmica, criativa, movida por resultados, que valoriza a liberdade e flexibilidade - pelo menos é o que acusam os resultados obtidos e que faz muito sentido para mim. Nunca me encaixei em estruturas engessadas, conservadoras e com rotina. Gosto de movimento, de improviso, de novidades e de muita dinâmica. Tenho pavor a morosidade, o que contribuiu para que me conectasse muito bem aos executivos mais energéticos, dinâmicos e exigentes. A normose nunca foi a minha praia e entendo essa característica como questão de perfil. Conheço diversas pessoas que odiariam viver as experiências profissionais que vivi e vivo. 

Olhar para a minha trajetória e "ter que" definir onde eu me encaixo me incomoda profundamente porque, sem nenhuma soberba ou arrogância, eu faço muitas coisas muito bem. Logo, dizer que sou apenas Secretária Executiva ou administradora ou palestrante ou instrutora, ou empreendedora, ou professora, ou trainer de carreira, ou parecerista me traz muito desconforto, porque me vejo fazendo todas essas atividades e o melhor com muito prazer. 

Por algum motivo, nos disseram - não faço ideia quem - que deveríamos  escolher um único caminho a seguir. Leia-se decidir por uma única carreira. Se por acaso decidisse desenvolver outras habilidades seriam hobbies e não necessariamente sua profissão, seria talvez um plano B. 

E assim, nos acostumamos a viver dentro de uma caixa, embora o jargão "pensar fora da caixa" queira nos provar o contrário. O que é uma mentira. Nós somos condicionados a pensar sim dentro de uma caixa.

Certa vez, atuando como Secretária Executiva, em uma renomada empresa, um executivo que assessorava me solicitou que preparasse uma apresentação para alguns executivos cujo objetivo era apresentar resultados esperados, indicadores e melhores práticas de atuação que corroborassem com o negócio da empresa. Passei dias preparando esse material, colhendo informações, alinhando as expectativas do meu Diretor e ao terminar a apresentação, para aproximadamente 15 gestores, um diretor de outra área soltou em tom de piada e deboche o seguinte: "Simara, então quer dizer que agora você está realizando treinamento para os gestores?". 

Ficou evidente para mim, naquela fala, o que aquele executivo pensava dos profissionais de Secretariado da empresa. Me senti profundamente desrespeitada e compartilhei a situação com o meu gestor, que tentando não potencializar o assunto apenas disse: "releve, fulano é um babaca. Deixa pra lá". 

A questão é, quantos "babacas" estão a solta por aí com ou sem crachá de gestor anulando e sabotando os talentos das pessoas? Ouve-se continuamente dizer "precisamos de profissionais que pensem fora da caixa", "Buscamos pessoas criativas", "com visão sistêmica", o que em determinadas situações não passa de discurso raso, demagogo, formado por tendências e sem fundamento algum. 

O que eu quero dizer com tudo isso é que precisamos ter cuidado com as histórias que nos contam sobre nosso potencial e capacidade. 

Já recebi muitos feedback ao longo da minha vida. Muitos transformadores outros desastrosos e que não fizeram o menor sentido. Se eu tivesse acreditado em tudo que me disseram certamente "estaria contente, porque eu tenho um emprego, sou um dito cidadão respeitável, e ganho quatro mil cruzeiros Por mês". (Raul Seixas).

Saiba que é possível ser bom em muitas coisas, trabalhar com aquilo que você gosta e ser bem remunerado por isso. O segredo está em encontrar os parceiros certos de jornada. 

Para quem não conhece ou não lembra da música citada acima, segue a letra. 



Ouro de Tolo

Raul Seixas


Eu devia estar contente

Porque eu tenho um emprego

Sou um dito cidadão respeitável

E ganho quatro mil cruzeiros

Por mês


Eu devia agradecer ao Senhor

Por ter tido sucesso

Na vida como artista

Eu devia estar feliz

Porque consegui comprar

Um Corcel 73


Eu devia estar alegre

E satisfeito

Por morar em Ipanema

Depois de ter passado fome

Por dois anos

Aqui na Cidade Maravilhosa


Ah!

Eu devia estar sorrindo

E orgulhoso

Por ter finalmente vencido na vida

Mas eu acho isso uma grande piada

E um tanto quanto perigosa


Eu devia estar contente

Por ter conseguido

Tudo o que eu quis

Mas confesso abestalhado

Que eu estou decepcionado


Porque foi tão fácil conseguir

E agora eu me pergunto "E daí?"

Eu tenho uma porção

De coisas grandes pra conquistar

E eu não posso ficar aí parado


Eu devia estar feliz pelo Senhor

Ter me concedido o domingo

Pra ir com a família

No Jardim Zoológico

Dar pipoca aos macacos


Ah!

Mas que sujeito chato sou eu

Que não acha nada engraçado

Macaco, praia, carro

Jornal, tobogã

Eu acho tudo isso um saco


É você olhar no espelho

Se sentir

Um grandessíssimo idiota

Saber que é humano

Ridículo, limitado

Que só usa dez por cento

De sua cabeça animal


E você ainda acredita

Que é um doutor

Padre ou policial

Que está contribuindo

Com sua parte

Para o nosso belo

Quadro social


Eu é que não me sento

No trono de um apartamento

Com a boca escancarada

Cheia de dentes

Esperando a morte chegar


Porque longe das cercas

Embandeiradas

Que separam quintais

No cume calmo

Do meu olho que vê

Assenta a sombra sonora

De um disco voador


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Não é frescura



Há muitos anos li em um dos meus livros favoritos - Yoga para Nervosos - do brilhante Prof. Hermógenes, que quando um individuo adoece, adoece todo. É um equivoco considerar uma gripe apenas um mal físico. 

Podemos todos nos perguntar como uma pessoa que tem tudo ou não tem "problemas" pode sofrer de uma doença avassaladora como a depressão. Eu pouco sabia sobre depressão até receber o diagnostico da minha mãe, a última pessoa que imaginaria ser tomada por esta "coisa". A principio, relutei acreditar que uma pessoa tão forte e energética pudesse ser dominada por uma doença, que ao meu ver, estava muito relacionada à introspecção e marasmo. 

Após o diagnostico, assumi alguns posicionamentos frente à minha vida pessoal e uma das decisões foi reduzir minha carga de trabalho e me dedicar ao problema, que desejo seja passageiro. Tenho enfrentado este desafio sem a menor cerimônia e sem reservas, o que tem contribuído para que receba dezenas de mensagens de amigos confidenciando e principalmente se solidarizando com a situação da minha mãe. 

Simara, o que tem a ver a depressão da sua mãe com o blog e o Secretariado? Grande parte das mensagens que carinhosamente tenho recebido são de amigos relacionados ao Secretariado compartilhando comigo a sua dor . "Eu também tenho depressão" / "eu já tive depressão". 

Sabe quando você fica perplexa frente à algumas informações, ao ponto de demorar dias para digerir? Como assim fulano tem depressão e eu nunca percebi?

O que tenho aprendido, na minha pequena caminhada de aprendizado, é que a depressão é uma doença silenciosa e solitária. "O que vão pensar de mim", "Se descobrirem no trabalho que tenho depressão posso ser demitida (o)", "Vão ter pena de mim". Dentre tantas teorias, alguns, valendo-se de conhecimentos rasos retirados de experiências pessoais, afirmam ser frescura, falta de uma surra, outros garantem ser o mal do século ou mesmo falta de Deus na vida. Olhando de dentro, tenho a sensação que somos todos, e me incluo, ignorantes defendendo um apanhado de teorias. 

Por isso, quem convive com a pessoa acometida pela doença, precisa entender que a depressão não é frescura e exige sim cuidados, atenção e tratamento, sobretudo porque a doença pode gerar um grande sofrimento e o comprometimento de vários âmbitos da vida, como profissional, familiar e social. É importante entender que a pessoa não está doente porque quer e não é forçando-a fazer exercícios ou manter um estilo de vida que o outro entende saudável que vai resolver.

Sigo essa caminhada buscando entender alguns porquês, com o coração aberto e sendo solidária, mas principalmente mantenho a consciência do não-julgamento, buscando sempre uma comunicação não-violenta, porque mais eficiente que agredir é a atitude de benevolência, que significa querer o bem de todos os envolvidos, reconhecendo a vulnerabilidade e acolhendo o processo de cura de cada individuo. 

Talvez você possa ajudar com uma palavra, com um gesto ou talvez não possa ajudar. Seja como for, depressão pode ser tudo, menos frescura.

Com carinho, 

Simara Rodrigues

P.S. Em complemento, compartilho depoimento, emocionante, do Jornalista Ricardo Boechat, alertando sobre a gravidade doença.

DEPOIMENTO BOECHAT