sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Sobre os primeiros 40 anos da minha vida


2018 começou com muitas reflexões e sentimentos. Não sei para as outras mulheres, para mim completar 40 anos foi intenso. Um parto, eu diria. 

Refletir sobre a minha vida, foi o ponto alto do ano. enumerar cada passagem, cada ciclo, cada experiência, cada ser vivente que me acompanha nessa jornada. Algumas lembranças dolorosas, outras fortalecedoras, espetaculares e inesquecíveis.

Quando penso sobre os quarenta anos vividos tenho os seguintes registros para compartilhar:

Os primeiros dez anos poderiam ser facilmente definidos em uma única palavra: MAKTUB que em árabe significa "já estava escrito" ou "tinha que acontecer". Eu nasci de um breve relacionamento entre a minha mãe e o meu pai, um Libanês que vivia em São Paulo. Minha mãe quando soube que estava grávida, decidiu assumir a maternidade sozinha e vei para Brasília logo que nasci. Com isso, não conheci meu pai e ele tão pouco soube da minha existência. Apesar de todo amor, respeito e gratidão que tenho pela minha mãe, ainda não compreendo os motivos de fato de sua decisão. Então, pensar em MAKTUB me conforta. "Tinha que acontecer". 

Os primeiros dez anos foram marcados por sobrevivência. Minha mãe, embora tenha decidido pela independência não tinha condições financeiras de arcar com a sua decisão. Avós, tios, primos, padrinhos foram o nosso apoio e diria que nos viramos bem, apesar de todos os "perrengues". Penso que foram essas experiências que contribuíram para que me tornasse a pessoa versátil e otimista que sou. Meu lema na vida é: Pra tudo da-se um jeito. Apenas aos 08 anos fui morar definitivamente com a minha mãe. Ela é sem dúvida a mulher mais corajosa que eu conheço. 

A década seguinte foi marcada por muita rebeldia e com uma trilha sonora bem especial: Legião Urbana, Pink Floyd, guns's rose e Janis Joplin. Fazia parte da geração incompreendida, cheia de coragem, de contestações e ousadia. Fui uma adolescente impetuosa. 

Até que aos dezoito anos engravidei. Ikaro chegou no momento certo, trazendo senso de responsabilidade e comprometimento. Descobri ali que a vida não era um bolinho de carne - como dizia uma grande amiga. A vida é para quem quer viver e tem disposição e isso eu sempre tive. Com todo despreparo me tornei mãe e acredito que me saí bem, melhor do que imaginava. 

Apesar da maternidade ter me proporcionado grandes realizações e alegrias, essa década foi a mais sombria e árdua de todas. Foram anos de privações, frustrações, decepções e de muitas, muitas dificuldades, mas também a fase que me preparou para ser a pessoa que me tornei. Forte, determinada, confiante e grata -  Ah como eu sou grata por tudo que tenho e sou. 

Quando completei trinta anos eu estava exausta. Fisicamente e emocionalmente cansada. Me sentia fracassada e sem rumo. Naquele ano eu sentia uma profunda tristeza na alma, como se tivesse nadado, nadado para morrer na praia. Minha vida não tinha muito sentido. Embora fosse apaixonada pela profissão que escolhi e pela empresa, eu trabalhava com uma pessoa tirana que não me inspirava, pelo contrário, me desmotivava,  intoxicava e me adoecia. Nesse momento eu questionei: De que adianta tanto amor e dedicação? tanto esforço? Eu estava triste. Por algum motivo, lá no fundo eu acreditava em dias melhores e foi esse sentimento que me deu forças para não desistir. 

Foi então que iniciou um novo ciclo e junto o meu oceano azul. Considero os últimos dez anos como os melhores anos vividos. Tudo que sempre sonhei aconteceu nessa última década. Meus sonhos começaram a se realizar, conheci pessoas incríveis, ingressei na docência, investi muito em conhecimento e desenvolvimento pessoal e profissional. Eu cheguei exatamente onde desejava chegar. Tudo, exatamente tudo que desejei aconteceu. Foram os meus anos dourados. E é claro que nada aconteceu do dia para a noite. Não existe essa história de sucesso do dia pra noite. Toda a minha jornada contribui para que eu colhesse os frutos. E aquela pergunta feita por mim lá do passado foi respondida: Valeu a pena todo o amor e dedicação. 

Coisas simples faziam parte da minha lista: ter qualidade de vida, ter uma família, ser reconhecida profissionalmente, ter saúde, gerar valor na vida de outras pessoas e viver bem comigo. Nessa última década resolvi buscar notícias do meu pai - que infelizmente havia falecido a pouco tempo. Chorei tudo que precisava chorar, e sinto muito a sua ausência mas agradeço pelo bem mais precioso que ele poderia me dar: a vida. 

Chego em uma fase que me sinto realizada e mais confiante. Olho para trás e sinto orgulho da pessoa que tenho me tornado, e assim vou deixando a vida seguir seu fluxo - E ao longo dessa jornada algumas pessoas e projetos vão deixando de fazer sentido. Não há perdas, não há mágoas, não há lamentações. Só aprendizado e gratidão. 

Assim, me despeço de um ciclo incrível, com grandes realizações e dou boas-vindas a um novo ciclo repleto de amor, realizações, paz, prosperidade, felicidade e que eu possa continuar gerando valor na vida de outras pessoas. 

Com carinho, 

Simara Rodrigues 


Um comentário:

  1. Anem, Simara. Você é linda e merecedora de todos os frutos colhidos. Você inspira pessoas, você espalha boas energias, você leva/deixa luz por onde passa. Sinto falta das suas palavras e energia gostosa durantes as aulas. Você é maravilhosa! Te desejo muito mais sucesso e alegrias na vida. Adorei a publicação. :)

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