quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O perigo das histórias que contam por aí


Recentemente estive em Nápoles, uma comuna Italiana localizada ao Sul do país. Desde a escolha por Nápoles, que seria apenas um stopover até meu destino final - Capri e Positano - comecei a buscar informações básicas de qualquer viajante: O que fazer, onde comer, onde hospedar,  o que conhecer e etc. 

Foi então que me deparei com opiniões diversas e impressões muitas vezes baseadas no que apenas ouviram falar. Muitos blogs e influenciadores descreviam a cidade como a mais perigosa e violenta da Itália. Os amigos mais próximos, me marcavam em todas as postagens e informações a respeito do meu roteiro. 

As vésperas de viajar, uma personalidade pública e famosa esteve em Nápoles e também em algumas das cidades que visitaria dias depois. Seus comentários me deixaram apreensiva, sobretudo porque descreveu o lugar e as pessoas como um atentado à própria vida, além de outras informações que hoje posso afirmar não fizeram nenhum sentido na minha experiência. 

Em minhas palestras costumo dizer o seguinte: 

"Não acredite em nada do que eu disser. Tudo o que direi é baseado na minha experiência pessoal e cada individuo vivencia as coisas da sua maneira. Por isso, experimente o que eu vou trazer, teste na sua vida e então, baseado na sua própria vivencia você poderá concluir se o que eu disse serve para a sua vida.”


Minha versão sobre Nápoles: 

Nápoles não é o inferno na terra. É caótica sim e diferente de tudo que já conheci na Itália. Com uma energia e movimento contagiante. Foi onde comi as pizzas mais maravilhosas e inesquecíveis do mundo, onde conheci pessoas autênticas, engraçadas, prestativas e que despertou a minha vontade de ficar mais um tempo. Nápoles é um verdadeiro museu aberto e apesar de tudo o que falam e da sujeira na rua - que é totalmente verdade - é um lugar incrível e que desperta a vontade de fazer uma imersão na história e na cultura Italiana.

Depois de tudo que li e ouvi, é verdade que não esperava muito de Nápoles. Por isso, fui sem expectativa alguma. Quando cheguei vi algo totalmente diferente do que ouvira dizer por aí. 

Dá para imaginar que por medo de falar com outras pessoas na rua - porque me disseram que não era seguro pedir informações - várias vezes recorri ao exército e policiais para encontrar endereços de pizzarias e outros pontos que estavam no meu roteiro? E o melhor foi que todos paravam atentamente para ajudar - logo criava-se aquela roda de pessoas fazendo o barulho e confusão típica do Napolitano para resolver "o problema". rs 

Costumo deixar dois dias do meu roteiro de viagem em aberto. O plano é não ter planos. Isso porque, geralmente, durante a viagem surgem lugares, possibilidades e experiências que não estavam no roteiro. A medida que vou conversando e conhecendo pessoas, os dias reservados vão sendo definidos. Eu adoro fazer isso - perder o controle e deixar fluir. 

Nesta viagem Nápoles foi escolhida e retornei para continuar meu turismo pela cidade mais pitoresca que já conheci. Em uma das noites que retornava de uma pizzaria - nada mais, nada menos que a pizzaria onde Elizabeth Gilbert, autora do livro Comer, Rezar e amar,  descreveu estar vivendo um caso de amor com uma pizza  - pedi ao garçom para chamar um taxi até o meu hotel e ele me sugeriu ir a pé, pois a noite estava linda - e estava mesmo - e o hotel era próximo. 


Disse que preferia ir de taxi porque tinha medo da cidade e da violência. Ele soltou aquela risada e da forma mais autêntica e engraçada disse: Como assim? você é Brasileira. Quem vive no Brasil não pode ter medo de Nápoles. E de repente outros napolitanos chegaram, rimos juntos e tudo virou festa! Assim é Nápoles....autêntica, intensa, carinhosa e diferente. 



E o que isso tem a ver com o blog? Já parou para pensar quantas mentiras e verdades você já ouviu sobre a profissão, sobre os profissionais, sobre as práticas secretariais e sobre carreira? Quantas vezes você ouviu falar que Secretária é babá de luxo? que não é reconhecida (o)? Que não é paga (o) para pensar? que não tem futuro? 

Durante minha carreira ouvi incansáveis mentiras, ou melhor, versões e impressões sobre a minha profissão. E sabe o que eu fiz? Fui lá ver se era verdade e se fazia sentido para a minha vida.....com isso, construí a minha própria história e versão, bem diferente do que muitas vezes ouve-se por aí. 

Por isso é tão importante que você experimente e vivencie as suas escolhas antes de tomar como verdade a história dos outros. Porque a história dos outros, é só a história dos outros. 

Com carinho, 

Simara Rodrigues






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