sexta-feira, 25 de maio de 2018

Comunicação não-violenta


Eu me sinto uma pessoa muito afortunada, por vários aspectos, em especial por ter em minha jornada pessoas que me ajudam e me apoiam, o que diariamente é mencionado em minhas meditações, agradecer e reconhecer cada pessoa, como uma benção. Não gosto de tribos e tão pouco de definições padronizadas, muito menos de rótulos, até porque rótulos não são para pessoas, mas para coisas. Assim, gosto de me relacionar com  pessoas e não convivo com um grupo especifico. Na verdade me sinto muito melhor transitando em vários grupos, sempre atenta ao não-julgamento e verdades absolutas. Mas nem sempre foi assim. Já fui uma pessoa reativa e com dificuldades para me comunicar e me relacionar em determinadas situações, tanto no campo profissional como pessoal, o que por vezes gerou conflitos e atritos desnecessários. 



Por isso é tão importante termos em nossa caminhada pessoas que nos ajudam e nos apoiam. E foi exatamente uma grande amiga, Patricia Kratka, que me apresentou há alguns anos a Comunicação não-violenta - CNV, uma técnica que tem contribuído para o meu crescimento pessoal e consequentemente profissional. 


As reflexões iniciais que permeiam a CNV e que são trabalhadas pelos especialistas são: 

Suas palavras são paredes ou janelas?
Você se comunica com você e com os outros? 
De forma agressiva ou de forma empática? 
Sua comunicação traz isolamento e desentendimentos ou traz conexão e harmonia? 

* perguntas utilizadas por Patrícia Kratka em seus treinamentos

Para mim, é cada vez mais notório o quão nocivo pode ser a comunicação, seja ela oral, escrita ou corporal e os impactos que pode causar na vida das pessoas. 

Vale ressaltar que comunicação não-violenta nada tem a ver com falar de forma fofa, falar baixo ou com expressões afetuosas e carinhosas. Comunicação não-violenta é sobretudo ter uma escuta ativa e empática, o que só é possível quando somos capazes de olhar para dentro de nós, e isso muitas vezes dói, o que faz com que algumas pessoas vivam a ilusão de que o outro é quem precisa mudar. 

Para Marshall B. Rosenberg, percursor da CNV, a comunicação está basicamente em duas instâncias: A de solicitação e a de retribuição. 

“Quando você entende que toda comunicação se resume a estas duas instâncias, não existe mais espaço para que você se ofenda, pois percebe que as pessoas estão apenas solicitando algo de você ou retribuindo, mas com o uso de estratégias altamente ineficazes.”

Por isso, aprender a reconhecer e controlar as emoções é algo muito importante e genuíno, se despindo de falsos discursos qualificados como originalidade e autenticidade, que não passam de agressividade e emoções mal-resolvidas. Reconhecer as reais necessidades e aprender a expressá-las com menos críticas e julgamentos pode ser o ponto de partida. 

Hoje, mais madura e mais consciente, estou segura que muitos embates e discussões, tanto no âmbito profissional como pessoal, poderiam ter sido evitados, se eu simplesmente aplicasse quatro técnicas descritas por Marshall: 


1) observar sem julgar - Significa desenvolver a capacidade de observar sem carga emocional ou juízo de valor. Deixar de lado suposições e achismos, sem a pretensão de que tudo é pessoal, quando na verdade, nada é pessoal. 

2) identificar sentimentos - É quando somos capazes de entender os porquês e desvendar cada emoção envolvida no contexto. Isso porque todo sentimento tem uma necessidade que não foi suprida. 

3) assumir responsabilidades - É quando somos capazes de reconhecer expectativas x realidade, assumindo que o outro não tem poder sobre nós. 

4) fazer pedidos - É quando conseguimos expor nossas necessidades e sem exigências, fazemos acordos. 

Se você quiser saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura do livro Comunicação Não-violenta de Marshall B. Rosenberg. 

um abraço, 

Simara Rodrigues

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