sexta-feira, 2 de março de 2018

Pessoas desagradáveis e despreparadas estão em toda parte do mundo

São nos momentos de pausa que temos a possibilidade de desacelerar os pensamentos e reorganizar as ideias, os projetos, os objetivos e principalmente, não olhar a hora nem lembrar em que dia da semana estamos. Viver e experimentar são as únicas urgências. 

Mas é também quando temos a oportunidade de refletir sobre questões que fazem parte do nosso dia a dia e alguns "porquês". Falo por mim, que mesmo praticando "la dolce Far Niente" gosto de pensar a respeito.


Dando continuidade ao post publicado esta semana sobre chegar ao topo, compartilho algumas reflexões sobre excelência no atendimento e uma realidade: Pessoas desagradáveis e despreparadas estão em todo lugar do mundo. 

O início da minha viagem aconteceu por Guarulhos com destino à Paris, o maior aeroporto da França e o segundo maior em passageiros da Europa, o Charles de Gaulle. Chegar a um País, após 16 horas de voo, é sempre uma grande expectativa. Isso porque além das condições climáticas, que naqueles dias era abaixo de zero, há também as barreiras culturais e do idioma. 

Costumo ouvir que Franceses não gostam de falar inglês e são impacientes. Na verdade, pela experiência que tenho tido em minhas idas à França - que já somam cinco - ouso afirmar que nem todos os franceses falam inglês ou outro idioma e dependendo da região, como Alsace e Normandia, que já visitei, o francês é o idioma oficial e salve-se quem puder. 

O primeiro desafio e costumo classificar como tenso é o controle de imigração. Isso porque nunca sabemos quais serão as perguntas e sobretudo o humor do agente que nos atenderá. Já encontrei de tudo em minhas andanças. Agente simpático, agente agressivo, agente que nem olhou na minha cara e já foi carimbando meu passaporte, a exemplo deste dia. 

Na fila, logo à minha frente, havia uma mulher aguardando o atendimento e ela tremia tanto e seu nervosismo era tão evidente que comecei a ficar preocupada. Sorte ou azar, observei que durante a entrega de seu passaporte a agente a bombardeou de perguntas e a obrigatoriedade da apresentação de uma série de documentos. Foi quando percebi que não tinha absolutamente nada impresso. 

Em casa de ferreiro o espeto é de pau? Como, uma Secretária Executiva, que fez isso por uma vida, viaja sem nenhum papel? É claro que estava preparada, mas de forma eletrônica. (risos)

Se fosse entrevistada, a exemplo da moça à minha frente, teria todas as comprovações em meio eletrônico. Por sorte ou instinto Secretarial, costumo criar uma pasta e incluir todos os vouchers e documentos, além de utilizar aplicativos como hoteis.com, booking, trivago e Wallet . 

Então, se você, como eu, prefere meios eletrônicos para armazenamento de informações, não deixe de viajar com sua rede de dados ativa. Embora os aeroportos disponibilizem wi-fi gratuito aconselho ir preparado, isso porque na imigração eles costumam ser impacientes e bem "sisudos". 

Passado a temida imigração, fomos em direção à saída, que de tão grande, exigia a utilização de um metrô interno. E lá fomos nós, no fluxo. Italianos, japoneses, brasileiros, alemães....praticamente uma torre de babel e cada um se comunicando como podia e sabia. 

Quando finalmente chegamos na saída, sugeri às duas pessoas que viajavam comigo que fossemos de trem. Já havia feito o trajeto tanto de trem como de taxi e julgava algo simples e muito mais barato. O que de fato é, desde que a atendente do guichê venda os bilhetes corretamente. 

Um bilhete de trem partindo do aeroporto CDG à Paris custa 10 euros e um taxi custa em média 80 euros para a região que ficamos hospedadas. A conta era simples, economizaríamos um bom dinheiro e não seria um grande sacrifício. Ledo engano. Nesse dia aprendi o conceito de "economia burra". 

Com os bilhetes na mão partimos rumo ao hotel localizado próximo ao Louvre. Nas vezes anteriores fiquei em um bairro chamando Saint-Germain-des-Prés, por sua gastronomia e ruas charmosas. Mas dessa vez a ideia era ficar próximo ao Louvre e de alguns pontos que visitaríamos. Conforme orientado pela atendente do aeroporto, que falava inglês, deveríamos fazer uma troca de linha em determinado momento e assim fizemos, saindo da linha vermelha para a linha azul. 

Ao chegarmos na estação indicada, seguimos as instruções da atendente e seguimos para o metrô e foi então que nosso ticket acusou erro. A primeira ação foi me direcionar para a agente fiscal que estava posicionada próxima à saída e solicitar seu apoio. Uma atividade, que entendo, faz parte do job description.

Foi então que a agente fiscal, muito mal educada, começou a falar alto e alterada, em francês. Totalmente despreparada para a função que exercia. Não entendíamos o motivo, mas conseguia entender, pelo meu francês básico-de-aplicativo-gratuito, que havíamos cometido um infração e deveríamos pagar um multa de 35 euros por pessoa. E então eu perguntava: "Infração do que?". E ela só esbravejada. Tentemos falar com ela em espanhol, português e inglês e nada. Ela só falava em francês. 

Que stress aquela situação gerou. Estávamos cansadas, com fome e eu só me arrependia da economia burra. 

Foi então que ela "muito gentilmente" - "SQN" - disse que cobraria apenas uma multa de nós três, ou seja, 35 euros e poderíamos passar pela catraca e comprar os bilhetes do metrô e seguir a viagem. 

A esta altura, eu só queria sair daquela estação e pegar um taxi. E assim fizemos. Pagamos a fatídica multa e pegamos um taxi. Somando assim, 95 euros a nossa chegada ao hotel. 

Vale ressaltar que a cotação do euro atualmente está 4,20 reais, logo, esse equivoco e má vontade da agente fiscal nos custou em média 400,00 reais. 

Passamos o resto da tarde remoendo o episódio e analisando a grosseria daquela mulher, ao mesmo tempo que repetíamos para nós mesmas:

"não vale a pena estragarmos nossa viagem por conta desse incidente. Vamos ressignificar", eu sugeria". Difícil, mas o melhor a fazer. 

A experiência que fica desse episódio é que pessoas são pessoas em qualquer lugar do mundo. Algumas vão deixar as melhores e mais inesquecíveis recordações, enquanto outras, simplesmente passarão, tentando nos contaminar com o amargo de suas almas. A decisão em levar ou não essa carga é de cada um de nós. 

Resolvemos deixar as mágoas e seguir nossa viagem. E assim fizemos ao longo de nossa inesquecível passagem pela França, Suíça e Lisboa, e é claro, conhecemos pessoas incríveis que levaremos conosco em nossas recordações e que serão o foco dos meus próximos posts. 

um abraço e um ótimo final de semana



 Primeira parada às 16:00 para um lanche com cara de almoço. O garçom muito gentil, não mediu esforços para nos atender e deixar uma ótima impressão. O cardápio estava em inglês e francês. 


 Ao lado de onde fiquei hospedada, as imponentes pirâmides do Louvre e onde está localizada a entrada principal do museu. No dia seguinte, este foi o nosso primeiro passeio do dia.



Fechando a noite com uma uma temperatura de -3 e um bom 
capuccino. Ao fundo, um casal celebrava o dia dos namorados, que em Paris é comemorado no dia 14/02.

2 comentários:

  1. Simara,
    É sempre uma delícia "ouvir" suas palavras e, também, é sempre bom desfrutar das suas impressões sobre a vida, a carreira...
    Obrigada pelo compartilhamento e aprendizado. Bjos, Edite :)

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  2. Edite, quanto tempo! Que bom receber sua mensagem. Um abraço carinhoso para você. :)

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