quinta-feira, 8 de março de 2018

A linguagem universal e que une todos os idiomas



Dando continuidade aos posts que tenho relatado a minha última viagem e reflexões que fazem parte do dia a dia, hoje compartilho algumas percepções vivenciadas nos três Países que visitei: França, Suíça e Portugal, assim como algumas constatações que levarei para a vida. 





Como relatei anteriormente, falar inglês ou outro idioma na França não é uma regra e nem todos se comunicam, principalmente naquelas cidadezinhas charmosas e com ar de interior, a exemplo de Colmar, Ribauvillé e Riquewihr todas localizada nas região da Alsace e que fizeram parte do meu roteiro.

Particularmente, em momentos de descanso, prefiro fugir da vida urbana, do consumo, do trânsito e dos grandes centros. Gosto mesmo é do interior, do contato com a natureza, do contato com pessoas que dedicam tempo e atenção. Gosto de experiências. Não dá para comparar um jantar em Paris e Ribauvillé, por exemplo. Gosto de gente que olha no olho, que cuida, que sente o outro. E isso, por questões de demanda, é mais desafiador em grandes centros. De qualquer forma, o que percebi nesta experiência foi que falando ou não inglês, francês, alemão, e tantos outros idioma, a linguagem universal e que une todos os idiomas é o sorriso.

Em todas as cidades que visitei, e mesmo quando não conseguia me comunicar era o sorriso que dava tom à comunicação. Ribauvillé foi uma das cidades que me encantou por esta capacidade.

Passamos o dia em Estrasburgo uma cidade que por estar na fronteira com a Alemanha, é meio francesa, meio alemã. O que significa dizer que gastronomia, cultura e hábitos são híbridos entre os dois países. Na região, você encontrará as duas culinárias, regado a vinhos da região, especialmente brancos, com destaque para o Pinot Blanc, indiscutivelmente saboroso e inesquecível. Ao final do dia, antes de retornarmos para Colmar, onde estávamos instaladas, fomos à Ribauvillé, cerca de 20 km de distância e que fazia parte do roteiro. Uma cidadezinha charmosa e que deve ser visitada a pé. 

Lá, decidimos comer em um tradicional restaurante que pelo que entendemos era bem intimista e gerenciado pela família, o que é muito comum na Europa - são os proprietários quem executam todas as atividades (caixa, cozinha, limpeza, atendimento, etc). Quem nos atendeu na mesa foi um jovem e gentil rapaz. Inicialmente tentamos nos comunicar em inglês e ele sorriu e respondeu em alemão. Oi? E agora? "joga no tradutor e vamos ver no que dá". Se tem uma habilidade que aprendi muito bem no Secretariado é a capacidade de improviso e solução.  E assim fizemos. Conversamos, pouco, mas via tradutor e muitos sorrisos e dúvidas até conseguir finalizar o pedido.  

O cardápio, que estava em alemão e francês não ajudava. E foi então que nos deparamos com uma palavra não encontrada no tradutor e obviamente não entendemos. Se o google não sabia, imagine nós. Foi então que ele sorriu e emitiu um som: "béééééééé´" e roxo de vergonha imediatamente tapou a boca com a mão. Soltamos uma gargalha involuntária e rimos muito, todos nós.

Bingo, era uma receita com queijo de cabra. Comemos, bebemos, rimos, registramos fotos e a única linguagem daquela noite foram sorrisos e algumas mímicas, auxiliada pelo santo Google. As pessoas nos olhavam admiradas, ao mesmo tempo que acolhedoras. Acho que pensavam: "O que fazem tão longe de casa?". 

Em Colmar, no dia seguinte, não foi diferente em todos os lugares que visitamos. Diferente de Ribauvillé, encontramos pessoas que falavam português (de Portugal), espanhol e inglês, assim como pessoas que só falavam alemão e francês. Mas os sorrisos, que entendo como linguagem universal, estavam presentes em muitas situações. E foi essa capacidade que nos ajudou ao longo da viagem. 

Quando sorrimos para o outro, somos capazes de dizer muitas coisas, entre elas o fato de que estamos abertos para compartilhar espaço e aprendizado. E quem recebe o sorriso é capaz de decodificar a informação e sorrir de volta, e exatamente com essa linguagem, universal, é que toda a nossa negatividade é deixada de lado. 

As melhores experiências que vivenciei nessa e em muitas outras viagens ao longo da minha vida, foram os sorrisos e a amorosidade que acompanhava esse movimento, que deixaram sua marca e muitas recordações. De que adianta falar outros idiomas (não que seja dispensável ou não seja importante) se não formos capazes de nos comunicar genuinamente? Se não formos capazes de tocar o coração?

Minha dica de ouro: Sorria e não me refiro apenas ao viajar ou conhecer outro País. Sorria, aqui mesmo, no Brasil, no seu trabalho, na sua casa, no seu grupo, sorria para o padeiro, para o frentista, para o segurança do prédio, para o motorista do ônibus, para o marido, para  a esposa, para os colegas do trabalho, para o seu gestor, mesmo se for um "mala", simplesmente sorria. Muitas relações começam com uma troca de sorriso e em muitas situações, quando não há o que dizer, um sorriso resolve. Além de ser contagiante e agregador. Experimente sorrir mais para a vida e você perceberá a vida sorrindo para você. 

Um abraço e um ótimo dia 





Em Montmartre, Paris, jantamos no Pink Mamma, um restaurante Italiano que te faz querer fotografar tudo. O garçom sentou-se conosco, cantarolou música italiana e após um longo bate papo - quase amigos de infância - nos sugeriu os pratos e o vinho. Se voltarei? É claro que sim.



Meu prato - Uma massa tipicamente italiana, daquelas que você fala com as mãos bem "italianona". 











Em Paris, há um café muito charmoso e elegante chamado Pouchkine. O café 
existe há trinta anos em Moscou e seu nome é em homenagem ao escritor e poeta Alexander Pushkin Sergeyevich. Vale muito apena conhecer. As pessoas que nos atenderam falavam espanhol e inglês e não mediram esforços ao apresentarem os produtos e serviços. E claro que o sorriso estava estampado em cada movimento. 




Essa simpática senhora é proprietária de um café em Colmar. Ela quem atende, quem serve, quem cobra os valores. Uma fofa e simpática. Não resistimos e pedimos uma foto. Mais turista impossível. rs



Pelas ruas chuvosas de Colmar. Neste dia nevou bastante. 



La petit Venise - localizada em Colmar e que atrai centenas de pessoas. 



A imponente Catedral de Estrasburgo - onde tive o privilégio de chegar ao início de um missa.


Janelas lindas de Ribauvillé. Este é um lugar que quero voltar. 


  
O restaurante onde jantamos e rimos muito em Ribauvillé. Depois de tantos esforços para nos comunicar, fiquei com vergonha de pedir uma foto com nosso gentil e sorridente garçom. rs 




Na pequena village des Houches, a caminho de Chamonix, o proprietário (que exercia função de recepcionista, caixa e gerente do local) perguntou: Querem  que eu registre uma foto de vocês? Ficará lindo! Como recusar?






No mesmo hotel, lareira acesa assim que nos sentamos e aguardávamos a mesa do jantar ficar pronta. Não é um charme? 


Café da manhã des Houches e muitos sorrisos para recordar dessa experiência. 



Antònio, nosso guia. O Português mais brasileiro que poderíamos conhecer. Sabia cantar todas as músicas de Jobim, Tim Maia, Chico Buarque e Caetano. Rimos muito e ali firmamos laços de amizade e carinho. É lógico que voltarei e é lógico que Antònio tem amigas no Brasil. Não bastasse sua atenção, nos presenteou com "travesseiros" um doce típico de Lisboa e que me fez querer morar em Portugal. Estávamos em Sintra e ele disse: Aguardem no carro que vou buscar algo para você. E então chegou com a sobremesa mais gostosa que já comi na minha vida. 

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