sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Para ser feliz é preciso largar o osso


Trabalhei alguns anos com Feliciano, uma pessoa inteligente, aparentemente bem sucedida, em sua vida pessoal e profissional. Todos do segmento o conheciam, por ser referência na área técnica. Durante sua trajetória ocupou importantes cargos em empresas públicas e privadas. No auge de seus 40 anos tinha uma carreira e trajetória a se respeitar. 



Entretanto, por algum motivo, Feliciano se desmotivou e passou a ser uma pessoa chata e “pesada” no trabalho. Reclamava de tudo na empresa - da estrutura, dos gestores, dos colegas, dos serviços, dos processos, dos projetos, das estratégias, dos benefícios, do acordo coletivo. Nada prestava, apesar da alta remuneração, do alto cargo e de todas as regalias que sua função contemplava. O que mais ele poderia querer? Se questionavam os colegas mais próximos. Era nitidamente uma pessoa infeliz e improdutiva. 

Toda vez que encostava na minha estação de trabalho era uma murmuração. Ele me vampirizava com suas lamurias. E por mais que me esforçasse para apresentar os pontos positivos, ele se mantinha firme na sua missão de contaminar o ambiente. 

Certa vez, em uma de suas visitas à minha mesa, me senti muito a vontade para lançar a seguinte pergunta: Feliciano, por quê você não busca outro lugar para trabalhar que te faça feliz? Por que não “larga o osso?” Ele arregalou o olho, parou por alguns segundos e logo retrucou que não era ele quem tinha que mudar, mas a empresa. 

"Largar o osso" além de honesto com você e com a empresa significa sair da zona de conforto e ter coragem para encarar novos desafios e ideias, sem terceirizar perspectivas.  

Durante anos as reclamações seguiram até que um dia ele foi desligado. O que se ouvia pelos corredores da empresa era que já passava da hora, afinal, como manter uma pessoa que não estava alinhada às estratégias e valores da empresa. O que ele poderia agregar com tal desmotivação? Não foi surpresa para ninguém seu desligamento, exceto para Feliciano que ficou transtornado com a atitude do Diretor imediato, e lógico reclamou de tudo. 

Confesso que fiquei chocada com seu comportamento. Como assim? Ele não esperava ser desligado com a postura que adotara há anos? 

Infelizmente as empresas estão contaminadas por muitos “Felicianos” - pessoas desmotivadas, que além de não agregar, atuam como uma bomba relógio,  prestes a explodir, capazes de arruinar uma área e até mesmo uma empresa, desconstruindo toda e qualquer possibilidade de melhoria. E o pior é que não largam o osso. Enquanto isso, milhares de pessoas sonham em estar no lugar dos "Felicianos". Triste, mas uma realidade. 

Não tenho muitas notícias de Feliciano, sei apenas que desde o seu desligamento, há alguns anos, não se recolou no mercado. 

* O nome foi alterado

Para ser feliz é preciso "largar o osso"! 

Um abraço, 

Simara Rodrigues 

Nenhum comentário:

Postar um comentário