quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Da secretaria para a docência e para a vida!



Em 2008 o País acompanhou umas das maiores negociações para a fusão de duas gigantes das telecomunicações. Uma transação, bilionária, que influenciou na economia do País e na vida de muitas pessoas. 

Em meio a todo este processo, muitas especulações, "achismo" e temores. De um lado egos ecoavam o poder de estar do lado dos “compradores” com uma explicita demonstração de superioridade, do outro lado incertezas, mas também muito movimento com ares de superioridade. Uma rivalidade imatura, movida pela vaidade humana, dava o tom às negociações que se arrastaram por alguns meses. Quem será o Presidente? Quem serão os diretores? quem fica? quem sai? Embora o segmento fosse o mesmo, eram empresas completamente diferentes. A competição era aberta, para ambos os "lados". 

"A empresa A é muito melhor, somos rápidos, temos mais disposição, somos mais ousados e inovadores" Alguns esbravejavam. 


"A empresa B é muito melhor, somos muito mais organizados, temos processos melhores estruturados, tecnologia de ponto e controle eficaz. Somos outro nível, revidavam outros. 

Enquanto isso, a fala do então presidente era com foco nos próximos passos e no resultado que se esperava. “A partir de agora seremos uma única empresa e precisamos aprender a trabalhar como um time”. Ele tinha razão, achando bom ou ruim, quem quisesse permanecer na empresa, agora a maior empresa de Telecomunicações do País teria que dançar conforme a música. Simples Assim! 

Particularmente achei extraordinário todo o processo e embora tenham sido meses de muito trabalho, despedidas, pressão, incertezas e dúvidas eu via grandes oportunidades, que de fato se confirmaram nos meses e anos seguintes. Para mim, foram anos dourados, com muito aprendizado, reconhecimento e focada full time no que eu mais gostava de fazer, assessorar Executivos. Tive a oportunidade de ampliar minha visão de mundo e reconhecer o meu potencial. Ao contrário de muitos amigos do “lado A”, recebidos na então Sede da empresa com hostilidade, fui recebida com muita amorosidade por todos, principalmente pelas secretárias que trabalhavam no pool. Tudo aquilo era tão novo, ao mesmo tempo que tão mágico, que sequer percebia a hora passar. Quando menos imaginava, o relógio já acusava 23:00 e lá estava, no meio do caos, da restruturação, das novidades, das prioridades, do novo. Eram tantas informações a serem administradas que dormia contando os minutos para acordar e dar continuidade às pendências. Foram anos dourados! 

Foi então que conheci Anitra Pirene, Secretária Executiva de alguns diretores. Foi Amor à primeira vista. Lembro-me como se fosse hoje, assim que cheguei ao pool, fui recebida com muito respeito e atenção por todos, que imediatamente me indicaram minha estação de trabalho e me orientaram sobre todas as informações, fazendo de tudo para que eu me familiarizasse com a "nova casa". 

Devo reconhecer, era um outro mundo, muito diferente do vivido no pequeno escritório da filial localizado em um modesto andar da Asa Sul, onde ficávamos apenas eu e os Diretores, separados por armários, da área comercial. 

Agora era tudo muito imponente, com Executivos distribuídos em um grande salão, em uma espécie de "Pool de executivos", com grandes corredores repletos de salas de reuniões montadas com equipamentos de ponta. Ali de fato estávamos todos juntos e misturados. 

Anitra e eu rapidamente nos conectamos. Passamos a almoçar todos os dias juntas, chegávamos juntas, saímos juntas. Começamos a trocar informações quase que por telepatia, tamanha era a nossa sintonia e embora fossemos tão diferentes uma da outra. Ali, selamos nossa aliança de parceria, cumplicidade e amizade. E ao contrário do que muitos vivem na experiência com o pool de Secretariado, que convenhamos, em muitas situações é um verdadeiro campo de batalha, movido à fofocas e puxadas de tapete, nós eramos parceiras, juntamente com as demais que faziam parte do pool. Havia muito respeito, postura e empatia. 

Analisando os motivos da nossa parceria, posso citar alguns que fizeram a diferença em nossa jornada: 

Gentileza - Anitra foi extramente gentil comigo, desde o primeiro contato, mostrando-se aberta para aprender e também ensinar. Ali, naquele momento, coube a mim multiplicar os conhecimentos e processos da empresa, isso porque como mencionei anteriormente, embora fossem empresas do mesmo segmento a gestão era diferente, o que impactava na rotina de trabalho. 

Atitude Positiva - Algumas pessoas conseguem contaminar um ambiente de trabalho apenas pela sua presença. É aquele tipo de colaborador que está insatisfeito com tudo - com a vida, com o salário, com o gestor, com os benefícios, com os colegas - não importa o que a empresa faça ele será uma maçã podre. Mesmo com todas as incertezas, porque ninguém sabia ao certo quem ficaria, sua fala sempre foi positiva, otimista e sempre mostrando-se aberta para compartilhar informações e conhecimento. 

Empatia - Eu precisava dela para desenvolver o meu trabalho com qualidade e ela precisava de mim. Reconhecendo essa parceria fomos capazes tornar o trabalho daqueles que estavam em volta um pouco mais fácil e leve, porque não foi fácil administrar as emoções e o stress daquela época. 

Capacidade de comunicação - Foi muito fácil me adaptar a nova rotina, principalmente porque as informações eram claras e devidamente estruturadas. Anitra tem uma incrível capacidade de organização, o que contribuiu muito para o nosso trabalho. Isso porque trabalhar em pool exige que tudo esteja devidamente estruturado, organizado, registrado e documentado, evitando problemas por falta de comunicação. 

Capacidade de aprender - É muito comum chegar ao mercado profissionais cheios de teorias, certificados, verdades e promessas, mas quando surge uma demanda, param imediatamente alegando a necessidade treinamento e tempo para se capacitar, que é claro, deve ser fornecido pela empresa. Naquele momento a palavra de ordem era aprendizado. E mesmo com toda a experiência que carregávamos, era necessário novos saberes. E para que isso fosse possível era necessário disposição. Como posso aprender algo novo sem vontade? Se naquele momento nos posicionássemos como "sabichonas" teríamos perdido grandes oportunidades. 

E foi no meio desse furação que fui convida para participar do processo seletivo para lecionar em  uma Faculdade em Brasília e adivinhem quem me ajudou a preparar a aula de apresentação para os coordenadores da faculdade, me dando todas as dicas para a entrevista? Ela mesma, Anitra Pirene, que já era professora de inglês e com vasta experiência na docência. Passei no processo e celebramos juntas mais essa conquista. 

Hoje, continuamos trabalhando juntas, mas dessa vez na docência. Eu como coordenadora do curso e ela como professora, com a mesma parceria,  cumplicidade, amizade e carinho de 10 anos atrás. 

Finalizo esse post compartilhando uma mensagem de Ana Nunes, que reflete o que levo dessa experiência e amizade que desejo seja para a vida: 

"Somos condutores de energia. Se desejamos o bem, o bem vem. Se espalhamos amor, o amor fica. Se sorrimos, sorrisos recebemos. Pode demorar. Pode não ser sempre. Mas se tem uma coisa que a vida faz é ser grata, desde que sejamos com ela. Se tem uma coisa que o Universo faz é ser justo, desde que sejamos com nosso próximo. As coisas acontecem. A bondade existe. O amor vence. E toda positividade precisa circular. Espalhe."







com Carinho, 

Simara Rodrigues

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Excelente texto!
    Melhor ainda foi a história!
    Prazer em tê-las como professoras na minha vida acadêmica!!!

    Bruno Henrique

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