sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A boca fala do que está cheio o coração



..."Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Mateus 12:34,35"


Todas as vezes que esbarro com pessoas com um discurso ou postura provocativa, ofensiva e de ódio me inclino para este ensinamento Bíblico. Afinal, poderia uma pessoa com sentimentos ruins transbordar outra mensagem? Poderia uma pessoa frustrada, deprimida, melancólica ou infeliz espalhar sentimentos positivos e ser uma pessoa agradável? Particularmente acho pouco provável. 

Verdadeiramente acredito que só somos capazes de oferecer aquilo que temos, ou seja, cada um dá aquilo que tem de melhor. Esperar uma postura contrária ou de acordo com os nossos valores é criar uma expectativa e se frustrar. 

Há alguns anos tive uma aluna extremamente agressiva - em sua fala e postura. Todas as vezes que chegava à mim vinha "armada". Era uma pessoa muito desagradável e inconveniente. Sua postura me agredia e me assustava. 

Sendo uma pessoa sintomática, meu estomago era o primeiro a sentir o reflexo. Até que um dia ela conseguiu me tirar do sério - coisa rara, pois me considero uma pessoa muito equilibrada. É preciso muito esforço para me tirar do sério. Levantei a voz e disse a ela: "Abaixe o tom de voz comigo e retorne quando estive mais calma". Naquele dia voltei para casa triste e disposta a contornar a situação. Não estava em meus planos conviver os próximos semestres com uma pessoa assim. 

Foi então que me lembrei do versículo acima e comecei a pensar como poderia melhorar a nossa relação e contribuir para um ambiente mais agradável. 

Então, resolvi ser o mais amorosa e gentil que pudesse e todas as vezes que ela chegava em minha mesa ao invés de me armar, como eu muitas vezes fiz e ficar na defensiva pronta para um embate, eu comecei a sorria e ativar uma escuta verdadeiramente ativa. Foi a primeira vez que exercitei algumas técnicas aprendidas em um curso de comunicação não-violenta. Fala-se de muito de empatia, que nada mais é que a capacidade psicológica de sentir o que sentiria a outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela, mas na prática é um grande desafio, por isso, pouco se aplica. 

Aos poucos ela foi se "desarmando" e se tornando uma pessoa mais gentil. Sentia que quanto mais a tratava bem, mais amorosa ela se tornava. Paulatinamente fomos nos conhecendo melhor e tive a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre sua vida e sua história. Ela não tinha uma vida fácil e embora fosse uma mulher jovem já colecionava algumas adversidades. Percebi que o aquela mulher carente de atenção e respeito, mas como conhecia outra forma, se posicionava daquela forma. 

No dia de sua formatura ela me chamou num canto e me agradeceu por tudo. Sua fala era doce e seu semblante mais leve. 

"você deve estar muito feliz por esta conquista. E eu estou muito orgulhosa de você. Eu desejo que você seja muito feliz e realizada". 

E ali nos despedimos com um abraço e o desejo das melhores intenções. 

Esta aluna me ensinou muito sobre amor ao próximo e como podemos praticar os ensinamentos deixados por Mahatma Gandhi e sermos efetivamente a mudança que queremos ver no mundo. 

Um abraço carinhoso, 

Simara Rodrigues

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