quarta-feira, 10 de abril de 2019

Esqueça os rótulos se quiser ser feliz


Uma situação que sempre me incomodou, desde que ingressei no mercado de trabalho ainda como estagiária, é a necessidade que algumas pessoas e empresas têm de rotular os indivíduos. Você é economista, não é do campo das ideias. Você é do marketing, não deve saber se organizar. Você é secretária,  não entende de gestão. 


Depois de aplicar dezenas de testes e avaliações comportamentais ao longo da minha vida é possível dizer que sou uma pessoa altamente dinâmica, criativa, movida por resultados, que valoriza a liberdade e flexibilidade - pelo menos é o que acusam os resultados obtidos e que faz muito sentido para mim. Nunca me encaixei em estruturas engessadas, conservadoras e com rotina. Gosto de movimento, de improviso, de novidades e de muita dinâmica. Tenho pavor a morosidade, o que contribuiu para que me conectasse muito bem aos executivos mais energéticos, dinâmicos e exigentes. A normose nunca foi a minha praia e entendo essa característica como questão de perfil. Conheço diversas pessoas que odiariam viver as experiências profissionais que vivi e vivo. 

Olhar para a minha trajetória e "ter que" definir onde eu me encaixo me incomoda profundamente porque, sem nenhuma soberba ou arrogância, eu faço muitas coisas muito bem. Logo, dizer que sou apenas Secretária Executiva ou administradora ou palestrante ou instrutora, ou empreendedora, ou professora, ou trainer de carreira, ou parecerista me traz muito desconforto, porque me vejo fazendo todas essas atividades e o melhor com muito prazer. 

Por algum motivo, nos disseram - não faço ideia quem - que deveríamos  escolher um único caminho a seguir. Leia-se decidir por uma única carreira. Se por acaso decidisse desenvolver outras habilidades seriam hobbies e não necessariamente sua profissão, seria talvez um plano B. 

E assim, nos acostumamos a viver dentro de uma caixa, embora o jargão "pensar fora da caixa" queira nos provar o contrário. O que é uma mentira. Nós somos condicionados a pensar sim dentro de uma caixa.

Certa vez, atuando como Secretária Executiva, em uma renomada empresa, um executivo que assessorava me solicitou que preparasse uma apresentação para alguns executivos cujo objetivo era apresentar resultados esperados, indicadores e melhores práticas de atuação que corroborassem com o negócio da empresa. Passei dias preparando esse material, colhendo informações, alinhando as expectativas do meu Diretor e ao terminar a apresentação, para aproximadamente 15 gestores, um diretor de outra área soltou em tom de piada e deboche o seguinte: "Simara, então quer dizer que agora você está realizando treinamento para os gestores?". 

Ficou evidente para mim, naquela fala, o que aquele executivo pensava dos profissionais de Secretariado da empresa. Me senti profundamente desrespeitada e compartilhei a situação com o meu gestor, que tentando não potencializar o assunto apenas disse: "releve, fulano é um babaca. Deixa pra lá". 

A questão é, quantos "babacas" estão a solta por aí com ou sem crachá de gestor anulando e sabotando os talentos das pessoas? Ouve-se continuamente dizer "precisamos de profissionais que pensem fora da caixa", "Buscamos pessoas criativas", "com visão sistêmica", o que em determinadas situações não passa de discurso raso, demagogo, formado por tendências e sem fundamento algum. 

O que eu quero dizer com tudo isso é que precisamos ter cuidado com as histórias que nos contam sobre nosso potencial e capacidade. 

Já recebi muitos feedback ao longo da minha vida. Muitos transformadores outros desastrosos e que não fizeram o menor sentido. Se eu tivesse acreditado em tudo que me disseram certamente "estaria contente, porque eu tenho um emprego, sou um dito cidadão respeitável, e ganho quatro mil cruzeiros Por mês". (Raul Seixas).

Saiba que é possível ser bom em muitas coisas, trabalhar com aquilo que você gosta e ser bem remunerado por isso. O segredo está em encontrar os parceiros certos de jornada. 

Para quem não conhece ou não lembra da música citada acima, segue a letra. 



Ouro de Tolo

Raul Seixas


Eu devia estar contente

Porque eu tenho um emprego

Sou um dito cidadão respeitável

E ganho quatro mil cruzeiros

Por mês


Eu devia agradecer ao Senhor

Por ter tido sucesso

Na vida como artista

Eu devia estar feliz

Porque consegui comprar

Um Corcel 73


Eu devia estar alegre

E satisfeito

Por morar em Ipanema

Depois de ter passado fome

Por dois anos

Aqui na Cidade Maravilhosa


Ah!

Eu devia estar sorrindo

E orgulhoso

Por ter finalmente vencido na vida

Mas eu acho isso uma grande piada

E um tanto quanto perigosa


Eu devia estar contente

Por ter conseguido

Tudo o que eu quis

Mas confesso abestalhado

Que eu estou decepcionado


Porque foi tão fácil conseguir

E agora eu me pergunto "E daí?"

Eu tenho uma porção

De coisas grandes pra conquistar

E eu não posso ficar aí parado


Eu devia estar feliz pelo Senhor

Ter me concedido o domingo

Pra ir com a família

No Jardim Zoológico

Dar pipoca aos macacos


Ah!

Mas que sujeito chato sou eu

Que não acha nada engraçado

Macaco, praia, carro

Jornal, tobogã

Eu acho tudo isso um saco


É você olhar no espelho

Se sentir

Um grandessíssimo idiota

Saber que é humano

Ridículo, limitado

Que só usa dez por cento

De sua cabeça animal


E você ainda acredita

Que é um doutor

Padre ou policial

Que está contribuindo

Com sua parte

Para o nosso belo

Quadro social


Eu é que não me sento

No trono de um apartamento

Com a boca escancarada

Cheia de dentes

Esperando a morte chegar


Porque longe das cercas

Embandeiradas

Que separam quintais

No cume calmo

Do meu olho que vê

Assenta a sombra sonora

De um disco voador


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Não é frescura



Há muitos anos li em um dos meus livros favoritos - Yoga para Nervosos - do brilhante Prof. Hermógenes, que quando um individuo adoece, adoece todo. É um equivoco considerar uma gripe apenas um mal físico. 

Podemos todos nos perguntar como uma pessoa que tem tudo ou não tem "problemas" pode sofrer de uma doença avassaladora como a depressão. Eu pouco sabia sobre depressão até receber o diagnostico da minha mãe, a última pessoa que imaginaria ser tomada por esta "coisa". A principio, relutei acreditar que uma pessoa tão forte e energética pudesse ser dominada por uma doença, que ao meu ver, estava muito relacionada à introspecção e marasmo. 

Após o diagnostico, assumi alguns posicionamentos frente à minha vida pessoal e uma das decisões foi reduzir minha carga de trabalho e me dedicar ao problema, que desejo seja passageiro. Tenho enfrentado este desafio sem a menor cerimônia e sem reservas, o que tem contribuído para que receba dezenas de mensagens de amigos confidenciando e principalmente se solidarizando com a situação da minha mãe. 

Simara, o que tem a ver a depressão da sua mãe com o blog e o Secretariado? Grande parte das mensagens que carinhosamente tenho recebido são de amigos relacionados ao Secretariado compartilhando comigo a sua dor . "Eu também tenho depressão" / "eu já tive depressão". 

Sabe quando você fica perplexa frente à algumas informações, ao ponto de demorar dias para digerir? Como assim fulano tem depressão e eu nunca percebi?

O que tenho aprendido, na minha pequena caminhada de aprendizado, é que a depressão é uma doença silenciosa e solitária. "O que vão pensar de mim", "Se descobrirem no trabalho que tenho depressão posso ser demitida (o)", "Vão ter pena de mim". Dentre tantas teorias, alguns, valendo-se de conhecimentos rasos retirados de experiências pessoais, afirmam ser frescura, falta de uma surra, outros garantem ser o mal do século ou mesmo falta de Deus na vida. Olhando de dentro, tenho a sensação que somos todos, e me incluo, ignorantes defendendo um apanhado de teorias. 

Por isso, quem convive com a pessoa acometida pela doença, precisa entender que a depressão não é frescura e exige sim cuidados, atenção e tratamento, sobretudo porque a doença pode gerar um grande sofrimento e o comprometimento de vários âmbitos da vida, como profissional, familiar e social. É importante entender que a pessoa não está doente porque quer e não é forçando-a fazer exercícios ou manter um estilo de vida que o outro entende saudável que vai resolver.

Sigo essa caminhada buscando entender alguns porquês, com o coração aberto e sendo solidária, mas principalmente mantenho a consciência do não-julgamento, buscando sempre uma comunicação não-violenta, porque mais eficiente que agredir é a atitude de benevolência, que significa querer o bem de todos os envolvidos, reconhecendo a vulnerabilidade e acolhendo o processo de cura de cada individuo. 

Talvez você possa ajudar com uma palavra, com um gesto ou talvez não possa ajudar. Seja como for, depressão pode ser tudo, menos frescura.

Com carinho, 

Simara Rodrigues

P.S. Em complemento, compartilho depoimento, emocionante, do Jornalista Ricardo Boechat, alertando sobre a gravidade doença.

DEPOIMENTO BOECHAT


segunda-feira, 1 de abril de 2019

No pain, no gain?




Por muitos anos eu vivi a máxima do "No Pain, no gain" e a partir das crenças de toda a minha ancestralidade eu acreditei verdadeiramente que grandes conquistas exigiam muito esforço e para alcançar nossos sonhos era necessário muito sacrifício. 

Fazer parte da geração X - que cresceu em meio a escassez, dentro de um panorama conturbado da economia, em que diversas são as tentativas de reformas monetárias e a adoção de planos econômicos, contribuiu para a construção de padrões limitantes da minha família. 

Viver com a necessidade de armazenar e estocar alimentos, dada as incertezas do país foi, sem dúvida, desafiador. Imagine que os produtos sumiam das prateleiras dos supermercados e eram comprados com ágio no mercado paralelo. A máquina de remarcar preços tornou-se um ícone desse período. Para os economistas a década de 80 foi considerada a década perdida, sobretudo pela insuficiência de recursos e renda per capita estagnada. 

Logo, ter um emprego com carteira assinada e mante-la com um único empregador era motivo de orgulho e boa reputação. Assim, Cresci ouvindo a minha mãe dizer:

"precisa trabalhar muito para conseguir as coisas. Viver não é fácil"
"Tem que trabalhar muito e juntar dinheiro, tem que economizar". 
"Dinheiro não dá em árvore, tem que se esforçar". 

Conselhos que ela aplicava trabalhando insanamente das 6h às 23h, um padrão que inconscientemente repliquei por muitos anos na minha vida. 

Aos poucos fui percebendo que essa teoria do "sem dor, sem ganho" fazia sentido para ela, considerando a falta de oportunidade, a escassez de recursos, as diferenças sociais, que eram gritantes e todo o contexto politico-econômico do país naquela época. 

A partir do momento que você percebe que uma crença te limita você é capaz de Ressignificar toda a sua jornada, reprogramando seu cérebro para novos padrões mentais. E o que você ganha com isso? 

No meu caso tenho aprendido que não é a intensidade e quantidade de horas de trabalho que protagoniza o meu sucesso e felicidade, mas é o foco, dedicação e comprometimento que geram os melhores resultados. As conquistas não precisam ser sofridas, o sucesso não exige dor, exige compromisso e consciência. 

Por muito tempo eu acreditei que foi o meu trabalho exaustivo que contribuiu para a minha realização pessoal e profissional. Hoje compreendo que o segredo para o meu sucesso sempre esteve no meu coração e no meu objetivo. Não tem essa de sofrer para merecer. Merecimento tem muito mais a ver com confiar em si e seguir a sua intuição. 

Portanto, se você deseja viver uma vida com propósito comece por observar quais são os seus pensamentos e comportamentos e que resultados eles têm gerado. Se entender que é preciso ajustar a rota don't worry, be happy :) 

Um abraço, 

Simara Rodrigues 

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Entrevista de emprego: Me fale um pouco sobre você





Em minhas experiências com recrutamento e seleção costumo "quebrar o gelo" pedindo que os candidatos falem sobre eles. Minha fala é basicamente a seguinte: "Quem é a Judith? Me fale um pouco sobre você". 


É interessante como neste momento, apesar de ser uma pergunta clichê e utilizada em praticamente todos os processos seletivos, ainda me deparo com algumas pessoas que não sabem o que responder. Algumas dão aquele sorriso tímido e sem graça como se não soubesse o que dizer ou não estivesse preparada para esta pergunta. Outras devolvem a pergunta com outra pergunta. "O que você quer saber?". 

Pedir para falar sobre você é geralmente a primeira pergunta da entrevista e determinante para o encadeamento de toda a conversa, uma vez que a partir das respostas o recrutador poderá conduzir as demais perguntas e principalmente terá a oportunidade de avaliar sua capacidade de síntese, entusiamo e energia ao falar de si próprio. Portanto, nunca subestime esta pergunta e menos ainda a resposta. 

Então minha dica n.1 é: Treine, treine e treine. E se precisar, treine de novo - na frente do espelho, para um amigo, gravando um vídeo. Seja como for, esteja pronto para esta simples e importante pergunta. 

Vale ressaltar que neste momento a última coisa que o recrutador tem interesse em ouvir é o que está descrito no currículo. Concorda que para você estar no processo foi necessário uma triagem do currículo e das informações? Portanto, concentre-se em destacar suas conquistas, seus resultados, seus Hobbies, seus objetivos (desde que alinhados à vaga). A propósito, se a vaga não estiver alinhada ao seu perfil e aos seus objetivos não perca o seu tempo e do recrutador. 

Sendo assim, antes de se candidatar a vaga faça o dever de casa. Conheça a empresa, conheça a missão, visão, valores e avalie se estão conectados ao seu objetivo de vida e de carreira. Verifique se há algum colega que trabalha ou tenha trabalhado na empresa - E nesta etapa o linkedin é também uma ótima ferramenta. 


Veja um exemplo e uma hipótese de resposta para esta pergunta: 

Costumo me definir em quatro palavras: Apaixonada pelo que faço. 
Sou formada em Secretariado Executivo, atuo há 17 na assessoria de Executivos de alta direção e ao longo das minhas experiências tive a oportunidade de desenvolver importantes habilidades e competências para atuar na área. Me considero uma pessoa feliz e realizada. Nas horas vagas gosto de ler, viajar, conhecer novas culturas, ter experiências gastronômicas e gosto de receber amigos na minha casa. 
As pessoas que me conhecem dizem que sou determinada, focada em resultados e estou sempre de bom humor, características que particularmente acredito são essenciais para atuar como Secretária Executiva.

Sobre os meus resultados profissionais gosto de destacar a minha atuação como multiplicadora em um importante processo de fusão que aconteceu entre a empresa x e Y, que embora tenha sido desafiador contribui para que desenvolvesse minha capacidade relacionamento,  liderança, criatividade e inovação. 

Com esse breve resumo o recrutador terá a oportunidade de avançar em várias perguntas e conhecer o perfil do candidato nas entrelinhas. 


Mas tenha em mente que a resposta acima é apenas um exemplo de como você pode falar de si próprio. Mas o mais importante é ser verdadeiro, honesto e ser você mesmo. 


Não tem nada pior que um candidato baladeiro responder na apresentação que é uma pessoa tranquila, reservada, não gosta de sair e prefere ficar em casa com a família, lendo livros e assistindo série. Me poupe, nos poupe, se poupe. Não subestime a capacidade de stalkear de um recrutador. 


Mais importante que respostas enlatadas e retiradas do google é demonstrar o quanto você está alinhado ao perfil da vaga e aderente às competências e habilidades que o cargo exigirá. Logo, não há resposta certas. Há o candidato certo para a vaga certa, assim como a empresa certa para o candidato certo. 

E sabe como você responde a essa simples pergunta sem angústia? Se conhecendo, se avaliando e se reconhecendo. Algumas pessoas verdadeiramente não se conhecem e a percepção de si é fundamental para conduzir nossas escolhas, decisões, realizar nossos sonhos, objetivos, metas e desenvolver nossas competências e habilidades. É a partir do autoconhecimento que somos capazes de reconhecer e desenvolver nossos talentos e pontencialidades. 


Com carinho, 


Simara Rodrigues 



#10YearChallenge euforia ou frustração?


2009 - Em um dos eventos corporativos que faziam parte da minha agenda semanal - Maquiagem acentuada, como se precisasse esconder rugas que ainda não existiam. 
2019 - Chegando em casa Feliz da vida e registrando uma selfie só porque gostei da make do dia e estava com a autoestima elevadíssima, apesar das rugas já evidentes 


Circulou em janeiro deste ano nas redes sociais o challenge #10YearChallenge (“Desafio dos dez anos) e muitas pessoas entraram na brincadeira e foram buscar em seus álbuns antigos fotografias clicadas em 2009 para posta ao lado de uma atual. 

Mais do que uma brincadeira das redes sociais, o desafio é uma ótima oportunidade para revisarmos a nossa história e nossos objetivos. Acredito que acompanhar nossa trajetória, revisando nossas escolhas e nossos passos pode contribuir para que tenhamos mais consciência da vida que desejamos viver e o mais importante, analisar o nosso crescimento, sobretudo como seres humanos, que vai muito além da aparência física.

Resgatar fotos de dez anos atras trouxe muita gratidão e validou tudo que tenho construído e colhido - pessoalmente e profissionalmente. Mais do que a cor do cabelo, as possíveis rugas e quilos a mais, vejo uma mulher mais segura, mais confiante, mais experiente, mais empoderada. Colocar lado a lado os dois momentos trouxe profunda gratidão pela pessoa que tenho me tornado - menos imediatista, mais essencialista, menos crítica, mais empática, menos ansiosa, mais grata por cada oportunidade, menos exigente comigo e com outros, mais amorosa comigo e com os outros, menos tempestiva e mais analítica. 

É uma dádiva olhar para trás e sentir orgulho da pessoa que você tem se tornado. No entanto, para que isso aconteça é fundamental que você tenha consciência daquilo que você é, aquilo que você deseja e o que você precisa melhorar, sendo o protagonista da sua história, não só profissional como pessoal. 

Em especial para mim os últimos dez anos foram os melhores anos da minha vida e tudo que tenho colhido é fruto dessa jornada de amor, autoamor, autorresponsabilidade, pertencimento, foco, humildade, objetivo bem definido e fé!

E o você, o challenge traz euforia ou frustração?

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Profissional exemplar, pessoa exemplar!

Outro dia li no site da Associação Brasileira de Treinamento e desenvolvimento ABTD um artigo publicado por EDUARDO ZUGAIB, intitulado como Líder exemplar, pessoa exemplar - Sem isso, tudo é farsa! em que o autor apresenta por meio de indicadores e de pesquisa o perfil dos líderes, as tendências e o impacto do estilo de liderança para as Organizações e resultados esperados. (vale a pena ler o texto na íntegra). 


Em seu texto o autor conclui:

  precisamos mudar a pessoa na vida pessoal para que ela, como efeito colateral, se adeque nas organizações conforme os novos modelos holacráticos e líquidos. Não se fazem líderes de alta performance apenas com palestrinhas eloquentes, cursos com boa base teórica e com lastro em universidades de ponta. É preciso esforço e conhecimento em medicina comportamental, neurociência e ciências do comportamento (sem a superficialidade dos coachings do momento), pois os riscos por essa omissão já se observam abundantemente, já que vemos cada vez mais casos de profissionais com síndrome de Burnout, síndrome do pânico, ansiedade, bipolaridade, estresse, depressão, dificuldade para dormir, entre muitas outras disfunções de cunho emocional que até afastam pessoas do ambiente de trabalho.....


Não dá mais para querer desenvolver líderes eficazes se estes tratam mal seus cães, tratam mal seus pais, tem problemas de relacionamento com seus filhos ou suas esposas, convivem sem amor com seus cônjuges, dormem mal, sentem-se indispostos, tomam remédio para dormir para ou para não ter crises de disfunção comportamental, sofrem por antecipação, entre outros. Precisamos melhorar o indivíduo através de técnicas mais estruturadas de capacitação que envolvem muito mais a palavra tratamento do que treinamento. 




A medida que lia o artigo fazia uma conexão com o universo secretarial. Assim como um líder, não dá para desenvolver Profissionais de Secretariado de alta performance que tratam mal seus amigos, familiares, a comunidade, têm problemas de relacionamento e são agressivos em seus discursos e postura.

Incansavelmente direi que da maneira que você faz uma coisa, é a maneira que você faz todas as outras, portanto, não adianta se comportar dentro da empresa de um jeito e fora de outro. Aquele discurso do século passado que as pessoas no trabalho agem diferente do seu meio não se sustenta neste século. 

Somos uma grande rede de relacionamentos - pessoal e virtual - e mais dia menos dias nossas rotinas se cruzam, alguém que conhecemos conhece alguém que conhecemos e mais do que nunca nossas ações refletem no nossa carreira e no nosso futuro. 

Se antes ter formação superior em Secretariado Executivo e dominar um idioma era o suficiente, hoje, é preciso SER humano em sua totalidade, o que significa dizer que é preciso desenvolver mais  e mais a capacidade de ser relacionar, reprogramando o mindset e desconstruindo alguns padrões que não trazem resultados, e essa capacidade exige a busca continua de desenvolvimento pessoal. Portanto, não são as máquinas o nosso maior adversário, e sim nós mesmos. 

Abaixo, compartilho algumas perguntas que podem contribuir para o seu desenvolvimento e reflexões...

1 - Como você está se sentindo atualmente com relação a sua vida em geral?

2 - Como você acredita que seus superiores no nível hierárquico o veem?

3- Como você acredita que seus colegas de trabalho o veem?

4- Como você acredita que seus amigos te veem?

5- Como você se vê, agindo e interagindo com as outras pessoas?

6- O que você acredita que as outras pessoas pensam de você quando te conhecem pela primeira vez?
7- Qual é o impacto que você causa no primeiro contato com as pessoas?


Dessa forma, se você deseja ser um profissional exemplar, comece sendo uma pessoa exemplar. 




Com carinho,

Simara Rodrigues
 


sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Como você tem se nutrido?

Sorriso frouxo numa quarta-feira despretensiosa em Brasília (jan/2019)



Outro dia, na 1ª sessão de mentoria de uma cliente ouvi que se sente perdida profissionalmente. Embora goste do seu trabalho, das suas atribuições não sente que tem gerado os resultados que gostaria e por vezes se questiona sobre sua contribuição. Durante toda a sua fala ficou muito claro que ela sabe o quer mas o tempo todo está comparando-se com outros e a partir de opiniões diversas (familiares, gestores, redes sociais, grupos, amigos e colegas de trabalho) não tem encontrado o seu lugar no mundo. 

Saí daquela conversa me perguntando o que existe entre saber o que queremos e assumir esse movimento. Muitas vezes eu já soube o que queria, mas não assumia o movimento e seguia frustrada. Trabalhei com pessoas que não estavam alinhadas aos meus valores, mantive relacionamentos que não me faziam feliz e tive amizades que sugavam toda a minha energia. Em algumas situações demorei a reagir e tomar decisões e houve situações que esperei a vida se encarregar de tornar determinada situação insuportável. 

O que diferencia uma postura plena e segura daquelas envolvidas em medo, dúvida e insegurança? Particularmente penso que tem a ver com nutrição. Para trabalhar, correr, exercitar todos nós precisamos de nutrição e os alimentos fornecem a energia necessária. Mas será que nutrição é apenas física? É somente dessa energia que precisamos? Ou será que as pessoas também oferecem nutrição para o nosso dia a dia? Por exemplo, as pessoas que ouvimos, as palavras que lemos, as ideias que circulam nas redes sociais, jornais e revistas, as discussões que acontecem nos grupos do WhatsApp e outros meios de comunicação não têm nutrição e energia? 

Estou cada dia mais convicta que pessoas são tão importantes como o alimento diário que consumimos para estarmos nutridos. Em outras palavras, pessoas têm a capacidade de nutrir emocionalmente e mentalmente. 


Assim como os alimentos estragados nos fazem mal, pessoas, ideias e palavras podem nos contaminar e em muitas situações são âncoras que nos aprisionam em nossos medos e receios. Aqui não me refiro apenas a ter pensamentos positivos, mas atitudes e comportamento. É preciso cautela antes confiar totalmente em postagens e discursos infundados e  superficiais. É importante refletir que assim como fake News também há pessoas fakes. 

Eu não tenho dúvidas que com o advento da tecnologia, as relações estão mais próximas e mais fáceis, entretanto mais liquidas. 

Portanto, aprender a filtrar pessoas é também uma forma de nos mantermos nutridos daquilo que queremos e está alinhado aos nossos objetivos de vida e de carreira, e esse filtro deve ser uma das principais buscas que devemos promover em nossas vidas, pois assim como o alimento nos mantém vivos e saudáveis, pessoas podem nutrir as nossas almas. 

Quando cuidamos daquilo que consumimos e aqui refiro-me à pessoas, notícias, ideias, conceitos, informações e conteúdo, somos capazes de encontrar a força para agir e assumir o movimento que tanto queremos. E é partir desse mindset e nutridos com aquilo que verdadeiramente é bom que nosso mundo e nossa vida vai fazendo mais sentido. 

Então, deixo aqui algumas reflexões: 

Como você tem se nutrido? 
Suas relações te alimentam ou te adoecem?
O que você consome (conteúdo, notícias, informações e discussões) te energiza ou te enfraquece?
As palavras que tem replicado te empoderam ou te anulam?
você é uma pessoa que soma ou vampiriza o seu ambiente?

Parafraseando um grande líder e gestor que tive a oportunidade de trabalhar e é minha maior referência pessoal e profissional o mundo precisa de gente pra cima, com energia boa e boas intenções. E tenha certeza, o universo conspira a favor de quem não conspira contra ninguém.

Com carinho, 

Simara Rodrigues 


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Vamos falar de metas?

Parece que foi ontem que estabeleci as minhas metas - Pessoais e profissionais - para 2018 em meu planner, onde descrevo exatamente tudo que desejo e me proponho para o ano seguinte e a partir desses anseios realizo meu planejamento anual, contemplando cada etapa, cada movimento e cada pessoa envolvida. Desde que comecei a me organizar dessa forma tenho tido mais clareza do meu tempo, dos meus objetivos, das pessoas que caminham no mesmo propósito e da energia gasta com aquilo que realmente vale a pena e faz sentido, porque não há nada mais frustrante que a sensação de um ano "enxugando gelo". E se você quiser ser o dono do seu tempo, da sua vida e das suas intenções é preciso que você conduza as rédeas da sua vida. 

Ao contrário de 2017, quando estabeleci muitos objetivos e obviamente não consegui atingi todos, afinal, não adianta achar que vai abraçar o mundo com as pernas, esse ano fui mais modesta e priorizei o que chamei de: 

Meta ouro 
Meta prata 
meta bronze 

E como defini minhas metas? por prioridades e a partir de um exercício que faço mensalmente chamado roda da vida. Ao preencher cada área da minha vida elegi as três que mais necessitavam de atenção e foram elas: 

Saúde e Bem estar - Meta Ouro
Finanças - Meta Prata
Carreira - Meta bronze

Durante anos negligenciei minha saúde, trabalhando desgovernadamente. Achava chique falar que era workholic e o mais insano, eu amava aquela rotina de 16 horas de trabalho.   Acontece que mais dia, menos dia a conta chega e corpo fala. Nos últimos anos tenho brigado com com a balança e em 2017 veio a conta: Uma gastrite nervosa, que por sorte é moderada. Então, estabeleci meu maior foco, de forma muito consciente: Priorizar minha Saúde e Bem estar. 

Para pessoas que adoram desafios e têm objetivos bem definidos,  chegar ao final do ano e rever as metas, fazendo um check list e mensurando os resultados é algo impagável...É validar que valeu a pena cada nova manhã. 

Sobre minha meta de ouro: 

Meu foco era emagrecer 10kg e transformar gordura em massa magra. No início do ano eu estava pensando 76 kg, e isso estava me incomodando muito. Sobrepeso além de impactar na sua saúde, também influencia no seu emocional e na autoestima. Eu não estava me sentindo nada confortável com aquela situação. O primeiro passo foi estabelecer as tarefas que entrariam nessa meta, o que incluiu uma mudança de hábitos e principalmente FOCO. Então estabeleci meu plano de ação que contemplou de forma bem macro: 

Atividade física 
Reeducação alimentar 
Redução de consumo de vinho 
Redução de consumo de doces 


Resultado: Emagrecei 6 quilos e embora não tenha atingido meu peso desejado, ganhei mais disposição, massa magra, sinto-me mais feliz e o inacreditável aconteceu: Eu aprendi a gostar das atividades físicas e o que no início era uma verdadeira tortura tornou-se um momento de relaxamento e descontração. Foi desafiador priorizar a academia a cada convite e/ou imprevisto, o que exigiu muita determinação e força de vontade. 

Depois de experimentar todas as dietas mirabolantes ao longo da vida - dieta da fruta, dieta da sopa, deita da banana, dieta do abacaxi, dieta do chá, dieta do shake, sem deixar de mencionar os medicamentos que prometem "secar" aprendi que - como tudo na vida - bem estar e saúde exige tempo, dedicação, disciplina e foco, não tem formula mágica.


Em 2019 cuidar da minha saúde continuará entre as prioridades, embora não mais como meta de ouro e meu maior desafio será eliminar o açúcar da minha alimentação. #medo



A foto da esquerda foi tirada em nov/2017 e foi sem dúvida a "minha virada de chave". A foto da direita foi tirada em dezembro de 2018. :) 


Sobre minha meta prata: 


SEMPRE tive uma dificuldade enorme de gerenciar meus recursos financeiros e construir minha liberdade financeira. Por isso, sempre gastei mais do que ganhava e sempre contei com a sorte - e ela é presente na minha vida. Acontece que quando se chega aos 40 anos você começa a rever seu estilo de vida e como você quer deseja estar daqui a alguns anos. Portanto, construir uma planejamento financeiro torna-se indispensável, até porque não faz parte dos meus planos contar com a previdência social. Então estabeleci meu plano de ação que contemplou de forma bem macro: 

Mudança de mindset 
Cursos sobre educação financeira 
Leituras sobre educação e planejamento financeiro
Liberdade financeira - estabeleci um valor X a ser alcançado até 2022. Portanto essa meta continuará nos próximos anos. 

ResultadoFecho o ano realizada com as minhas conquistas e planejamento, que certamente irão refletir no futuro. Tenho aprendido que planejar não significa abdicar daquilo que gosto: comer bem, viajar, receber meus amigos em casa e ter novas experiências. Significa que eu preciso me organizar melhor, estabelecer o que realmente é prioridade e aprender a dizer uma palavrinha mágica: NÃO. Por anos carreguei como crença que quanto mais você doa, quanto mais generosa você é mais você tem, acontece que ajudar/doar é muito diferente de "levar as pessoas nas costas" e percebi que algumas pessoas aproveitavam da minha generosidade. Outro dia li no livro Aprendizados, da modelo Gisele Bundchen algo que fez muito sentido para mim:

"As vezes, a melhor maneira de ser generosa é oferecer aos outros o espaço de que precisam para conquistar a luz com o próprio esforço....Se você é uma pessoa que só dá - seu dinheiro, seu apartamento, suas roupas, seu carro, seu tempo e seu amor - quem está em desequilíbrio é você". 


Sobre minha meta bronze: 

Meu foco foi trabalhar meus GAPS e aquilo que preciso melhorar para atingir meus objetivos de carreira nos próximos dez anos. Assim, realizei cursos, li muito a respeito, me conectei com pessoas que podem me ajudar e clarear minhas ideias, participei de grupos relacionados ao tema e assim concluí uma importante etapa em busca do meu propósito. 

Encerro esse ano com muitas lições, aprendizados e consciente que esse processo não termina junto com o calendário e não importa a velocidade que você realiza uma determinação atividade/ação, o importante é não parar e se distrair com tentações diárias. 

Desejo que 2019 seja um ao de muitas realizações, aprendizados e conquistas. Que você 365 novas oportunidades de ser feliz!

Com Carinho, 

Simara Rodrigues





Modelo Roda da Vida extraído do planner Annima e que utilizo 


Tenha critérios bem definidos 


Exerça a consciência 




FOCO é palavra de ordem! 




 Estabeleça prazos - Seu comprometimento será maior 




Estabeleça um plano de ação 





Acompanhe cada etapa e celebre cada conquista 




*As imagens que compartilhei fazem parte do planner que adquiri na Animma e que eu adoro. :) 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Encerrando um ciclo muito especial

Acredito que quando a vida dá sinais que um ciclo está se fechado é preciso aceitar, agradecer e honrar, renovando as esperanças e recebendo, com gratidão, os novos projetos e os novos rumos. Só é possível renascer para uma nova oportunidade quando desapegamos e aceitamos o fim de cada ciclo, recriando, renascendo, reinventando e superando-se. 


Uma readaptação de rota nem sempre é um processo fácil, visto que exige muita energia para reorganizar o caos - interno e externo. Por outro lado, é um momento precioso de reflexão, autoconhecimento, autoamor e para avaliar o lugar que ocupamos e desejamos ocupar no mundo. 


Outro dia li que "A vida é a nossa grande mestra. Tudo o que acontece, está de algum modo nos favorecendo, seja para nos melhorarmos, seja para nos despertarmos da nossa zona de conforto, ou mesmo para adquirirmos alguma habilidade ou mudarmos algum aspecto. O proposito é sempre o aprimoramento"....


Quando um ciclo se fecha, é porque necessitamos realizar algum aprendizado para passarmos à etapa seguinte. Os processos transitórios da vida não são exatamente efêmeros, mas são etapas criativas e renovadoras. E com o fechamento de ciclos não é diferente, pois possibilita uma nova vida. 

Assim, encerro um ciclo de dez anos dedicados a docência, cujo o objetivo principal, desde o primeiro dia, foi ajudar e inspirar pessoas em buscar de uma carreira de sucesso - no significado mais amplo da palavra. Foi uma dádiva contribuir para a formação de mais de mil profissionais e ao longo dessa jornada acompanhar o crescimento e realização daqueles que acreditaram nos seus sonhos e no seu potencial. 

A todos os amigos, alunos, parceiros e Instituições por onde passei, meu eterno agradecimento pela confiança, motivação e apoio. Em especial à Profa. Dora Lúcia pela oportunidade de ingresso no mundo acadêmico e que mesmo sem experiência na docência confiou em meu potencial e capacidade de ensinar e à Profa. Penha Terra, mais que "chefe" foi uma líder que me inspirou, ensinou e compartilhou, sem medir esforços, todo os seu conhecimento e amor pela docência.  Eu não poderia me sentir mais grata, realizada e feliz por essa incrível experiência! 

E que venham novas formas de inspirar e orientar pessoas em busca de realização pessoal e profissional, porque encerrar um ciclo não significa o fim da jornada mas o início de um novo caminho a ser trilhado com novas possibilidades e oportunidades. 

Com carinho, 

Simara Rodrigues


P.S Alguns momentos vividos na última década e que serão lembrados com muita gratidão....